Os movimentos de prostitutas: avanços e impasses

No seminário A Prostituição: uma abordagem desde os Direitos Humanos Letícia Barreto, doutora em Antropologia e estudiosa do tema Prostituição, falou sobre “Os movimentos de prostitutas: avanços e impasses”.

Letícia iniciou o painel da tarde do dia 23 de setembro ressaltando a importância de ouvir as prostitutas. Segundo ela, é muito comum o interesse das pessoas pelo tema, que querem discutir prostituição, ajudar e até se interessam por curiosidade, mas poucas vezes vemos um diálogo efetivo com o movimento que sabe quais são as demandas. A demanda da regulamentação já é antiga, e existem diversas divergências, comenta Letícia.

Movimento de prostitutas no Brasil, Belo Horizonte e partes do mundo
Letícia Barreto

Letícia Barreto

“Apesar do movimento de prostitutas ter um longo processo histórico, no Brasil já com mais de 30 anos, é difícil encontrar documentos que contem essa história. Então, na minha pesquisa, tivemos que reconstruir passos, sendo que nos Estados Unidos já existe uma história mais consolidada.”

Ao falar sobre sua tese intitulada “Somos sujeitas políticas de nossa própria história: prostituição e feminismos em Belo Horizonte, Letícia Barreto explica que  sua pesquisa objetivou analisar a relação entre prostituição e feminismos em Belo Horizonte, a partir de um olhar sobre a emergência das prostitutas como sujeitas políticas e a produção do conhecimento sobre prostituição.

“Os movimentos de prostitutas têm autonomia, mas é restrita em alguns campos, como por exemplo na hora de ajudar a passar um projeto de lei”.

Com o material organizado ao longo de 10 anos de pesquisa, ela foi elaborando uma narrativa histórica sobre o processo de construção dos movimentos de prostitutas em Belo Horizonte em relação ao contexto nacional e internacional.

Capítulos Históricos

O surgimento dos movimentos de prostitutas: período da ditadura e primeiros anos da redemocratização no Brasil.

“O movimento das prostitutas surge exatamente dentro do contexto da ditadura militar. Com os relatórias da comissão da verdade, observa-se que a ditadura não afetava apenas as pessoas que eram contra o regime, mas também as prostitutas, os movimentos gays e diversos outros grupos. Nesse momento, também havia em nível internacional, principalmente nos Estados Unidos, o que chamamos de “As guerras dos sexos feministas”, que não chegaram ao Brasil do mesmo modo como chegaram nos EUA.

Adriana Piscitelli, grande pesquisadora sobre o tema da prostituição, diz que essas guerras do sexo chegaram com 20 anos de atraso ao Brasil. Então, hoje vemos os debates com mais força do que nessa época (até final da década de 80). Essas guerras foram chamadas de pró-sexo e por outro lado de contrassexo ou antissexo. Foi um momento de forte levante conservador. Várias feministas se aliaram a movimentos conservadores para exigir o fim de algumas questões que, para elas, eram consideradas opressivas em relação à sexualidade da mulher, como o caso da prostituição e da pornografia.

Seminário A prostituiçãoIsso virou alvo de ataque dessas feministas, pois se acreditava que a prostituição e a pornografia eram as formas máximas de opressão das mulheres e que elas iriam afetar todas as mulheres.

Do outro lado, temos as feministas pró-sexo, que dizem que existem as questões de opressão dentro da pornografia e da prostituição, mas que essas questões não são intrínsecas à prostituição. Então, não é por ser prostituta que a mulher é violentada, oprimida.

Temos que entender como cada contexto se caracteriza. Por exemplo: uma determinada prostituta pode ser oprimida, pois, como no caso do Brasil, temos uma legislação que criminaliza todo o entorno dela. Isso pode ser uma forma de opressão. Não precisa necessariamente vir por parte de um cliente violento; pode ser a sociedade que não a aceita.

Nessa segunda linha, essas feministas colocam que a prostituição pode sim trazer experiências de autonomia e autodeterminação. Isso gera conflitos, pois muitas as vezes pensam que essas feministas estão falando que toda prostituta é 100% livre e não têm nenhuma forma de opressão. Mas não é isso. Elas falam que é preciso entender cada caso.

Para Letícia Barreto, a prostituição é uma questão de direitos que precisam ser assegurados. Ela continua o contexto histórico falando sobre o feminismo de segunda onda, que não afeta tanto a questão da prostituição, pois as prostitutas foram mais afetadas nesse momento pelo surgimento da AIDS.

“O movimento de prostitutas organizado no Brasil é anterior à AIDS, ao próprio diagnóstico. Apesar disso, quando surge a AIDS, ela se torna foco de intervenção. A partir daí, surgem vários grupos, ONGs, financiamentos e ações focadas nas prostitutas, já que elas eram vistas como grupo de risco. O movimento passa a se organizar muito em torno do debate sobre a AIDS, o que acabou sendo visto como um problema. Até hoje, quando se fala em prostituição se pensa em AIDS. Isso é um grave erro.”

Consolidação dos movimentos de prostitutas  | 1990 – 2002

Ocorre a institucionalização dos movimentos. Se antes tínhamos vários movimentos autônomos, agora estão institucionalizados. Algumas associações se tornam ONGs e crescem os financiamentos. Com isso, ocorrem muitas viagens de prostitutas pelo mundo, como para ir a congressos sobre AIDS. São momentos em que elas vão se encontrar para conversar. Então, os encontros de prostitutas começam a acontecer por esses motivos.

Movimentos de prostitutas e autonomia | 2013-2015

Nesse período, os movimentos de prostitutas, assim como outros movimentos feministas, vão se tornar cada vez mais transnacionais. Não temos mais tão claramente aquele movimento fechado no Brasil. Vamos ter a Rede Global de Trabalhadoras do Sexo, a Rede latino-americana e várias outras redes que vão se fortalecendo. Esse fluxo fica cada vez maior, e muitas vezes em virtude desses financiamentos ligados a DST e AIDS.

Pontos analisados:

1- Tráfico de pessoas e relação com grandes eventos: a partir da década de 2000, o discurso sobre a prostituição ganha força com o tema tráfico de mulheres. Constantemente se associa prostituição a tráfico de mulheres. Essa é uma questão complicada. Primeiro porque as prostitutas são vistas, a priori, como traficadas; e isso vai impedir que elas migrem e que tenham acesso a diversos direitos. Alguns autores chamam isso de “danos colaterais” nessas redes de resgate ao tráfico de pessoas. Então, muitas vezes, a prostituta que está migrando, acessando redes familiares ou de amigos para conseguir esse processo migratório, vai ser vista como uma traficada. No caso brasileiro, isso é fortalecido pelo fato de que na legislação do Brasil o tráfico de pessoas é visto como tráfico para prostituição. Além de ter efeitos muito negativos para as prostitutas, tem efeito negativo também para outras pessoas traficadas.

Letícia fala de sua passagem trabalhando no Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Minas Gerais e comenta que chamou a sua atenção o fato de ter muito mais casos ligados a trabalho escravo. E esses casos aconteciam com a exploração dentro do próprio Brasil. E apesar disso, os financiamentos e as ações de diversos grupos são muito voltados para as mulheres que estão migrando para o exterior a fim de se prostituir. Então, temos a invisibilidade de um contexto que está acontecendo e um olhar sobre um contexto que ocorre sim, mas nem sempre acontece do modo como é colocado.

Em 2004, o Brasil ratifica o Protocolo de Palermo, que vai redefinir um pouco o conceito de tráfico de pessoas, mas o protocolo não foi transformado em lei no Brasil. Então, para legislação, segue sendo tráfico de pessoas o tráfico para fins de prostituição.

Outra questão que ganhou muito destaque foi a Copa do Mundo e as Olimpíadas 2016. Além do contexto internacional, muitos olhares se voltam para o Brasil e sobre o que poderia acontecer na Copa do Mundo, especialmente com nossas mulheres e meninas. E novamente a questão é focada nessas pessoas que são vistas como mais afetadas pelo tráfico de pessoas. E durante a Copa, no tempo em que estive no programa de enfrentamento,  não tivemos nenhum caso de tráfico de pessoas que a gente tenha acessado, No Brasil tivemos grandes movimentos de preparação da polícia para identificar esses casos, mas na verdade o que vimos foram casos de tráfico de pessoas e exploração laboral dentro da construção dos estádios, por exemplo. Os crimes que tivemos foram muito mais ligados a venda de ingressos, roubo, estupro e outros tipos de violência.

Com relação a esse tráfico de pessoas, conseguimos perceber que o próprio movimento de prostitutas ao estar mais organizado começa a ter uma atuação mais clara nesses contextos. Se antes tínhamos esse imaginário, começamos a ver vários aliados e os próprios movimentos produzindo dados e não apenas aceitando essas políticas e esse discurso alarmante. Quando se fala em tráfico de pessoas vemos números muito altos, e na verdade, não se tem comprovação de muitos deles.

AIDS e Saúde

As mulheres prostitutas sempre foram colocadas como questão de saúde, mas especificamente de saúde sexual. Nem se fala de direitos reprodutivos, mas de DST e AIDS. Isso é um problema sério, pois existem diversas outras questões importantes, como os direitos trabalhistas. Com a AIDS definida como questão prioritária, os debates acabam sendo esvaziados. Nesse período (2013-2015) , os movimentos vão se tornando cada vez mais autônomos nesse debate.

Jornais "Na Vida" - produzido pelo GAPA/MG - Fonte: http://www.severidade.com.br/prostituicao/#bf24

Jornais “Na Vida” – produzido pelo GAPA/MG – Fonte: http://www.severidade.com.br/prostituicao/#bf24

Em 2011, a Rede Brasileira de Prostitutas, que é um dos movimentos mais organizados que temos em nível nacional, vão definir que não vão mais mais aceitar financiamentos para questões de AIDS. Claro que existem ainda muitas parcerias, inclusive em Belo Horizonte, mas essa postura diz que elas não querem mais ser vistas apenas como possíveis portadoras de HIV e AIDS. Elas querem ser vistas como trabalhadoras, pessoas que têm direitos.

Levantamento dos projetos de Lei

Em um levantamento apresentado pelos deputados desde 1975, observa-se uma mudança. Se antes os projetos não dialogavam diretamente com as prostitutas, passamos a ver projetos que dialogam, tais como o projeto do Fernando Gabeira e do deputado Jean Wyllys.  Os dois projetos foram construídos em parceria com movimentos de prostitutas, o que gera um grande avanço. Isso muda a forma como se fala da prostituição e se propõe o que deve ser mudado. Apesar disso, esses projetos acabam sendo vistos ainda como se não representassem as prostitutas. E, claro, existem algumas prostitutas que são contra alguns pontos específicos do do recente projeto do Jean Wyllys, por exemplo,  mas o este foi construído em parceria com o movimento.

Letícia fala sobre a importância de legitimar a voz que vem do movimento, falando sobre o que querem e pretendem para que se possa discutir a partir daí.

Outro ponto que tem relação com o legislativo, é a candidatura de algumas prostitutas que também faz parte desse processo de maior autonomia. Não vão apenas escolher um deputado para apresentar um projeto por elas, mas também querem defender as próprias pautas.

Quer saber mais sobre os movimentos de prostitutas? Acesse: http://www.severidade.com.br/prostituicao/

No próximo post, saiba mais sobre Violação de direitos humanos e 
estigma na prostituição feminina, por Isabel Brandão.
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Tráfico ilegal de pessoas rende a criminosos US$ 7 bi ao ano

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As principais rotas para o tráfico humano, da África à Europa e da América do Sul aos EUA, geram a cada ano aos traficantes rendas estimadas em pelo menos US$ 7 bilhões, divulgou nesta segunda-feira o diretor-executivo do Escritório da ONU contra Drogas e Crime (UNODC), Yuri Fedotov. Continuar lendo

ATO PÚBLICO CONTRA O TRÁFICO DE PESSOAS COM FINS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL

No dia 23 de setembro (Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças) a Pastoral da Mulher, realizadora do Projeto Diálogos pela Liberdade, participará do ato público em defesa das mulheres e contra a exploração de crianças junto à CRB – Rede Um Grito Pela Vida, representantes de pastorais, Campanha Coração Azul de Minas Gerais, voluntários e outras entidades.

Local: Praça Sete, em Belo Horizonte/Minas Gerais

Horário: 15:30 h

Objetivo: sensibilizar e alertar a sociedade quanto ao tráfico de pessoas.

Atividades gerais: apresentações musicais, peças de teatro, filmes, distribuição de material informativo.

PARTICIPE!

Diálogos pela Liberdade proporcionou espaço para debate e fluxo de informação

O Projeto Diálogos pela Liberdade deu um passo inicial na sua caminhada contra o tráfico de pessoas. Para atender à demanda da Secretaria Nacional de Justiça e  UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), realizou eventos com foco em violência de gênero e tráfico de pessoas, a fim de  promover uma abordagem adequada e de acordo com os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo Estado brasileiro, numa perspectiva de promoção de direitos humanos. O objetivo principal era sensibilizar e aproximar a sociedade brasileira da temática do tráfico de pessoas, apresentando mais informações sobre a existência e a complexidade de tal fenômeno e auxiliando no desenho de estratégias e ações de prevenção.

Ao longo de 2014, uma série de importantes ações de sensibilização e prevenção vêm sendo realizadas pela Pastoral da Mulher por meio de debates e encontros para formar agentes multiplicadores. Dentre as ações estão:

  • DIÁLOGOS NA ESCOLA
  • CONGRESSO INTERNACIONAL “TRÁFICO DE MULHERES E EXPLORAÇÃO SEXUAL”
  • CINE -DIÁLOGOS
  • EXPOSIÇÃO “MENINAS DO BRASIL”
  • ATOS PÚBLICOS

Para o Coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, José Manuel Lazaro Uriol, “o evento superou todas as expectativas e a participação foi muito grande, tanto por parte de estudantes, professores, pesquisadores; e conseguimos ter um nível de debate sobre a problemática bastante interessante, abordando diferentes causas do Tráfico de Seres Humanos. Também chegamos a analisar criticamente as políticas de enfrentamento e sem dúvida, conseguimos chegar a sensibilizar e conscientizar a muitas pessoas que não tinham um conhecimento exato dessa problemática”.

A Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, em nome do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, agradece ao UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Mercosul, à OAB – Ordem dos Advogados do Brasil/Minas Gerais e à Escola Superior de Direito Dom Helder Câmara pelo apoio e parceria na realização dos eventos do “Projeto Diálogos pela Liberdade”, que continua a desenvolver formações nas escolas e universidades. O projeto segue com o tema do tráfico de pessoas e também trabalhando as questões de gênero e prostituição. Agradece também a todos os professores, estudantes, pesquisadores e sociedade em geral pela participação e por terem enriquecido o evento.

Clique aqui e confira as palavras de José Manuel, coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte.

Anjos do Sol encerra a programação do Cine-Diálogos

O Cine-Diálogos, evento que faz parte do Projeto Diálogos pela Liberdade, teve seu encerramento hoje, 5 de setembro, com a exibição do filme Anjos do Sol. O longa-metragem foi o centro das atenções do debate proferido por Flávia Gotelip – Coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de MG e pelo professor João Batista Moreira Pinto, da Escola de Direito Dom Helder Câmara (Direitos Humanos e Cidadania).

Anjos do Sol conta a história de Maria (Fernanda Carvalho), uma jovem de 12 anos, que mora no interior do nordeste brasileiro. No verão de 2002 ela é vendida por sua família a um recrutador de prostitutas. Após ser comprada em um leilão de meninas virgens, Maria é enviada a um prostíbulo localizado perto de um garimpo, na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, ela consegue fugir e passa a cruzar o Brasil através de viagens de caminhão. Mas ao chegar no Rio de Janeiro a prostituição volta a cruzar seu caminho. (sinopse by adorocinema)

O prof. João Batista  falou sobre as desigualdades e as formas de poder utilizados para sustentar teias de exploração. Segundo ele, Anjos do sol fala das diferentes formas de controle e da restrição de formas de resistência.

“A realidade de exploração contra as crianças marca muito, pois o caminhar delas parece sem rumo e sem perspectiva após tanta violência. É preciso organizar uma resistência. Os poderes precisam ser articulados para essa transformação”, ressaltou.

Flávia Gotelip iniciou sua fala comentando o filme e apresentou alguns dados. “Anjos do sol retrata uma realidade que é do nosso cotidiano. O projeto MAPEAR mapeou pontos vulneráveis de exploração sexual da criança e adolescente nas rodovias federais do país, e Minas está no ranking com 252 pontos.”

“Se uma pessoa não conhece as formas de migrar com direitos, está em situação de vulnerabilidade por falta de informação. A rede do tráfico de pessoas usa disso para um fim, a exploração. O filme Anjos do Sol mostra a presença do aliciador e da venda de uma menina por sua família, mas para investigação e enquadramento no crime de tráfico, o que importa é o fim, e não o meio.”

“Lidar com o tráfico de pessoas e trajetórias de violações exige muito cuidado. A agenda contra o tráfico de pessoas não pode se sobrepor a outras agendas de lutas. O debate desse tema vem para somar forças ao enfrentamento de vulnerabilidades que sustentam esse crime, como no caso da exploração sexual de menores.”

O público presente enfatizou a prevenção em suas perguntas e deixou a seguinte questão para discussão: como efetivar uma prevenção ao fenômeno do tráfico de pessoas com medidas de proteção reais?

Flávia fez uma análise realista sobre o que tem sido feito atualmente enquanto gestão pública e ressaltou que “enquanto houver desigualdade social, fica difícil falar em eficácia de políticas públicas que vêm minimizar consequências.”

“É preciso discutir a homogeneização da nossa legislação com o protocolo de Palermo. E precisamos nos organizar para instrumentalizar nosso trabalho. Em dezembro teremos um seminário, em formato de conferência, para construir o Plano Mineiro de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.”

Mensagem de Flávia Gotelip

Para fechar o debate, o prof. João Batista faz uma provocação: “Dignidade para todos significa também abrir mão de poderes pré-estabelecidos.” E fecha com a reflexão de que a luta contra o tráfico é feita por uma minoria, assim como a solidariedade.

Da organização

Para o Coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, José Manuel Uriol, “o evento superou todas as expectativas e a participação foi muito grande, tanto por parte de estudantes, professores, pesquisadores; e conseguimos ter um nível de debate sobre a problemática bastante interessante, abordando diferentes causas do Tráfico de Seres Humanos. Também chegamos a analisar criticamente as políticas de enfrentamento e sem dúvida, conseguimos chegar a sensibilizar e conscientizar a muitas pessoas que não tinham um conhecimento exato dessa problemática”.

A Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, em nome do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, agradece ao UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Mercosul, à OAB – Ordem dos Advogados do Brasil/Minas Gerais e à Escola Superior de Direito Dom Helder Câmara pelo apoio e parceria na realização dos eventos do “Projeto Diálogos pela Liberdade”, que continua a desenvolver formações nas escolas e universidades. O projeto segue com o tema do tráfico de pessoas e também trabalhando as questões de gênero e prostituição. Agradece também a todos os professores, estudantes, pesquisadores e sociedade em geral pela participação e por terem engrandecido o evento.

Confira no link https://www.youtube.com/watch?v=OICTVPYwNCE&feature=youtu.be as palavras de José Manuel, coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte.

Diálogos na Dom Helder Câmara inaugura exposição Meninas do Brasil

A exposição “Meninas do Brasil” foi inaugurada nesta quarta-feira (3) na Escola Superior Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte. Sensibilidade, reflexão e espaço para o diálogo descrevem a palestra de abertura do artista Geraldo Lacerdine, que expressou por meio de suas telas as histórias de vidas de mulheres silenciadas pelo abandono ou pela exclusão social.

“Com a mesma sensibilidade e energia apresentadas nas pinturas, Lacerdine ‘quebrou o protocolo’ e transformou a solenidade de abertura em um grande e divertido ‘diálogo’. A leveza, no entanto, não ofuscou a gravidade e importância dos assuntos em debate: ‘a busca do humano quando não há perspectivas de horizonte’, título da palestra de Lacerdine; e o tráfico de pessoas, tema geral do evento ‘Diálogos pela Liberdade’.” (Redação Dom Total)

A solenidade de abertura contou ainda com a participação do professor Francisco Haas, pró-reitor de extensão da Escola e mediador dos debates; Ana Cláudia Alexandre, defensora Pública da DPE/MG; Olga Colipe, Superiora Provincial das Irmãs Oblatas de Belo Horizonte; Jose Manuel Lazaro Uriol, coordenador da Pastoral da Mulher; e Durval Ângelo, presidente da comissão de direitos humanos ALMG. O professor Francisco Haas destacou a honra de receber os eventos e completou: “as mulheres são as principais vítimas ligadas às violações dos Direitos Humanos”, e acredito que essa iniciativa contribui para que elas tenham seus direitos preservados”.

Durval Ângelo citou o crescimento de casos ligados ao tráfico de pessoas em regiões de cultivo de café no sul de Minas Gerais. “Antes, essas denúncias se concentravam nas lavouras de cana-de-açúcar e regiões mais pobres do Estado.  Agora estão se espalhando. A construção civil também tem apresentando muitos casos de violações”, apontou. (Redação Dom Total)

Fotos: AssCom Oblatas

Múltiplos olhares, debates e partilha de informações no encerramento do Congresso Diálogos pela Liberdade –

No segundo dia do Congresso Diálogos pela Liberdade aconteceu o lançamento do documentário “O que a vida fez da gente e o que a gente fez da vida”, produzido pela Pastoral da Mulher de Belo Horizonte sobre a perspectiva de vida de prostitutas atendidas pela instituição, com uma abordagem humana e reveladora sobre a realidade dessas mulheres. Em seguida, abriu-se a mesa de debate com o diretor do documentário, Nelio Souto, Isabel Furtado (psicóloga da Pastoral da Mulher) e José Manuel Uriol (coordenador da Pastoral da Mulher BH).

Para enriquecer ainda mais o evento, o Congresso trouxe também temas que envolvem a teia do tráfico de pessoas. Patricia Mattos abriu as apresentações na mesa redonda “Pobreza, gênero, desigualdade e exploração sexual”, apresentando questões sobre prostituição, abuso infantil, exploração sexual, com as observações de seu trabalho. Carla Bronzo deu sequência e trouxe a seguinte questão: “A pobreza explica o tráfico de pessoas?” Ela apresentou elementos da concepção de vulnerabilidade e ressaltou que “a pobreza vai além da condição material, pois abrange privação de inserção e realização.” Ainda dentro de sua contextualização, Carla destaca que “o Plano Nacional de Tráfico de Pessoas não traz uma conexão com outras políticas públicas para agir de forma preventiva”, despertando a todos para uma reflexão.

Na parte da tarde, o Congresso seguiu com a palestra “O II Plano de enfrentamento ao tráfico de pessoas”, com Heloísa Greco (coordenadora nacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas). Ela trouxe informações atualizadas sobre o plano e dados desde a sua concepção, apresentando o fluxo de monitoramento das metas do II plano de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, dentre outros assuntos inclusos neste. Posteriormente, Flávia Teixeira  acrescentou um outro olhar sobre o tema com a palestra “Uma visão crítica das políticas de enfrentamento ao tráfico de pessoas”. Segundo Flávia, “em Minas Gerais existe indicativos importantes de tráfico de pessoas sim, mas é para trabalho – exploração da mão de obra escrava”. Ela destacou que o Tráfico como é contextualizado precisa ser avaliado, pois existem mitos e ilusões a respeito desse fenômeno. Thaddeus Blanchette, professor de antropologia, UFRJ, ligado à ONG da vida, falou sobre a realidade que encontrou em seus 10 anos de pesquisa sobre imigração, turismo sexual e prostituição no Rio de Janeiro, em consonância com a visão trazido por Flávia Teixeira. Segundo ele, existe uma coerção estrutural do capitalismo sobre o tráfico de pessoas que transforma as pessoas que querem imigrar para ganhar dinheiro em “supostas vítimas”. Blanchette diz: “Se elas não negociam com os donos da casa, são denunciadas como imigrantes ilegais … Aí são repatriadas, ou seja, voltam. Mas elas querem voltar? Muitas não…”.

Em uma enfática e proveitosa discussão, dois pontos de vista são colocados frente a frente. Heloísa Greco retomou a palavra e deixou sua mensagem: “abrimos um espaço para o trabalho conjunto. Falta maior envolvimento da sociedade civil, ONGs, universidades para somar esforços ao enfrentamento do Tráfico de Pessoas. O tráfico de pessoas não é uma ilusão.” Ela ainda provoca para a reflexão lembrando que a prostituição, o estigma e o tráfico de pessoas para exploração sexual têm pontos comuns, mas há pontos que devem ser diferenciados para que haja possibilidades de prevenção e enfrentamento real.

A Polêmica sobre migração, prostituição e tráfico de mulheres abriu espaço para um debate mais denso, no qual tod@s puderam falar e serem ouvidos, com ampla participação do público.

Da organização:

Encerramos o Congresso com a certeza de termos proporcionado espaço para o diálogo. Trouxemos a perspectiva de diversos atores da sociedade para iniciar, apenas iniciar, nossa caminhada contra o tráfico de pessoas. Agradecemos pela participação de tod@s!

Mais fotos do evento:

O Congresso Internacional Diálogos pela Liberdade foi encerrado nesta terça-feira, 2 de setembro de 2014. O material será disponibilizado em breve. Convidamos também a participar das atividades que se seguem, como o Cine-Diálogos e a Exposição Meninas do Brasil.

Cobertura do Congresso Diálogos pela Liberdade

Elaborado para levar informação à população, fomentando a área de conhecimento sobre direitos da mulher, sensibilização contra a violência e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, além de realizar ações de prevenção, debates e encontros para formar agentes multiplicadores, foi aberto o “Congresso Internacional Diálogos pela Liberdade – Prevenção ao Tráfico de Pessoas”, realizado pela Pastoral da Mulher de Belo Horizonte.

Contando com a presença de estudantes e profissionais das mais diversas áreas ligadas ao social, o evento contou também com a presença de algumas autoridades e foi aberta com as palavras do Coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte – José Manuel. Logo após iniciou-se a sequência de palestras programadas para esta segunda-feira.

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O Congresso, programado para os dias 1 e 2 de setembro, acontece no Auditório da OAB/MG, na Rua Albita, 260, no bairro Cruzeiro, em Belo Horizonte, teve nesta manhã, a palestra “Globalização, Gênero e Tráfico de Pessoas”, com a jornalista e escritora, Priscila Siqueira e a palestra de Verônica Teresi, Profª Mestre da UNISANTOS, especialista na temática de Tráfico Humano, com o tema “As redes de tráfico Brasil-Espanha: perfil das vítimas”.

A tarde, a programação conta com a Mesa Redonda “Experiências de prevenção e Atendimento às vítimas do tráfico com fins de exploração sexual no Mercosul”,  com Olga Colipe, Coordenadora da Rede Oblata; Paula Laneri, do Projeto  “Puerta Abierta“, de Buenos Aires; e Sandra Ortiz, do Projeto “Casa Abierta” de Montevidéu (Montevideo-Uruguay) e a palestra “Experiências de Atendimento a brasileiras vítimas do tráfico com fins de exploração sexual na Espanha”, por Roberto Ferreiro, pedagogo no Projeto O Mencer- El Ferrol (Espanha).

Fonte e Fotos: AssCom – Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor.

Informação e troca de conhecimentos no primeiro dia do Congresso Diálogos pela Liberdade

Oficina de prevenção contra o tráfico de pessoas

Cumprindo o cronograma das ações do Projeto  “Diálogos pela Liberdade” realizado pela Pastoral da Mulher de BH, em parceria o UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Mercosul,  aconteceu no último dia 27 de agosto, na sede da Pastoral, a “Oficina de Sensibilização e Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos com fins de exploração Sexual”.

Contando com a presença de mais de 25 mulheres, a Oficina começou com a apresentação de alguns dados explicativos sobre o tráfico de pessoas no Brasil e distribuída uma cartilha informativa sobre este tema que tem o intuito de alertar sobre a invisibilidade deste crime para com as mulheres mais vulneráveis às armadilhas de aliciadores: mulheres em situação de prostituição.

oficina

Após a apresentação da equipe, algumas das mulheres compartilharam suas experiências de terem recebido convites para ir ao exterior. Muitas manifestaram conhecer colegas que, na esperança de um futuro melhor, aceitaram convites de viagem para Portugal, Espanha e/ou Itália. Algumas das quais sofreram abusos e ficaram fortemente endividadas com os traficantes.

Ao final da Oficina foram repassadas algumas dicas uteis as mulheres, a exemplo de como elas podem se prevenir, foi apresentado os órgãos que elas podem recorrer e de como identificar uma situação de tráfico de pessoas.

Em seus depoimentos finais, assumiram o compromisso de disseminar tais informações e distribuir as cartilhas entre suas colegas, tornando-se atuantes como agentes multiplicadoras na prevenção deste delito.

Fonte: http://pastoraldamulherbh.blogspot.com.br/2014/08/oficina-de-prevencao-contra-o-trafico.html