Diálogos pela Liberdade convida para o lançamento do documentário “O que a vida fez da gente e o que a gente fez da vida”

Convite - Lançamento documentario

A Pastoral de BH vai fazer o lançamento oficial do documentário “O que a vida fez da gente e o que a gente fez da vida“. Este filme foi produzido em 2014, dentro do Projeto “Diálogos pela liberdade”, coordenado pela Pastoral da Mulher de BH, unidade oblata em Minas Gerais. Aborda a trajetória de mulheres guerreiras que exerceram ou exercem a prostituição.  O evento acontecerá o próximo dia 14 de junho, às 20:30h, no Espaço Centoequatro, no Centro da capital belo-horizontina.

“O que a vida fez da gente e o que a gente fez da vida”  é um vídeo-documentário sobre a problemática da prostituição e  sua influência na vida de mulheres atendidas pela instituição, bem como sua relação com a exploração sexual. Também é tratado o fenômeno do tráfico de seres humanos. O objetivo é entender a vulnerabilidade social, cultural e econômica como fator influenciador no desenvolvimento das formas de exploração, abordando também as possibilidades de enfrentamento e sensibilização. Por meio das histórias de vida das entrevistadas, que estão (ou já estiveram) no exercício da prostituição, busca-se revelar o outro lado além de estereótipos, preconceitos e julgamentos, as saídas encontradas e o reflexo da prostituição em suas vidas.

O filme foi legendado em espanhol e inglês, com a finalidade de que possa ser de utilidade para o conjunto de Projetos Oblatas espalhados por mais de 16 países.

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Após a exibição, haverá uma mesa redonda com o tema  “Violação de direitos humanos e estigma na prostituição feminina”, com a participação de Regina Medeiros, Nélio Souto, Isabel C. Brandão e Fernanda Soares.

Convidad@s:

Isabel C. Brandão –   Psicóloga, com Pós-Graduação em Análise Institucional, Esquizoanálise e Esquizodrama. Trabalha desde 2008 na Pastoral da Mulher.

Nelio Souto – Jornalista e Cineasta, diretor do documentário.

Regina Medeiros – Doutora em Antropologia Social e cultural pela Universitat Rovira i Virgili em Espanha.  Sua tese: “Hablan las putas: sobre prácticas sexuales preservativos y Sida en el mundo de la prostitución”.Professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC Minas.

Fernanda Soares – Relações Públicas especialista em Mídias Sociais, diretora-fundadora da Conectidea – Comunicação e Articulação Social, co-roteirista do documentário e ativista pelos direitos humanos.

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Pastoral da Mulher
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Diálogos na TV Assembleia aborda o tema “Violência contra prostitutas”

Diálogos na TV Assembleia

Panorama , programa da TV Assembleia,  abordou o tema “Violência contra prostitutas”  nesta quarta-feira (23), às 8h30h. Quem não assistiu, poderá conferir a reprise do programa às 19h30h e à 1h de quinta-feira (24).

A psicóloga Isabel C. Brandão, do projeto Diálogos pela Liberdade,  e o sociólogo Vitor Lopes Costa, foram convidados para debater e analisar a problemática.

As profissionais do sexo convivem diariamente com agressões físicas, psicológicas e sexuais. Uma dura realidade que permanece invisível para a sociedade brasileira. Um levantamento feito pela Pastoral da Mulher de Belo Horizonte (idealizadora do Diálogos pela Liberdade) aponta que, apenas na região central da cidade, são cerca de 3 mil prostitutas trabalhando em 24 hotéis. Há também as mulheres que trabalham nas ruas e que estão ainda mais vulneráveis a assaltos, agressões e preconceitos.

O programa Panorama analisou este cenário, avaliou ações e políticas públicas que poderiam garantir mais segurança às mulheres que trabalham na prostituição.

Confira:http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/2016/03/22_release_tv_assembleia_panorama.html

Diálogos marca presença no Ciclo de Debates da ALMG – Mulheres contra a Violência: Autonomia, Reconhecimento e Participação

Diálogos pela Liberdade na ALMGA Equipe da Pastoral da Mulher de BH, Unidade Oblata em Minas Gerais, participou do Ciclo de Debates “Dia Internacional da Mulher – Mulheres contra a Violência: Autonomia, Reconhecimento e Participação”, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O evento faz parte das reflexões propostas pelo Legislativo mineiro a partir do Dia Internacional da Mulher  (8 de março) para abordar os tipos de violência contra a mulher, que vão além da agressão física.

Dentre os objetivos do evento, destaca-se a discussão acerca das diversas situações de violência que as mulheres enfrentam no dia a dia, com foco em questões relativas à raça, orientação sexual, faixa etária, situação de privação de liberdade, mulheres deficientes,  mulheres do campo e da floresta,  quilombolas e às profissionais do sexo. Foi abordada também a importância da desconstrução do machismo na sociedade brasileira para o enfrentamento da violência contra a mulher. A deputada Marília Campos (PT), que acompanhou e participou ativamente neste Ciclo de debates, ressaltou a campanha #NãoSeCale, adotada neste ano para convocar as mulheres à mobilização.

Os debates da manhã, coordenados pela deputada Geisa Teixeira (PT),  abordaram as questões de gênero nas escolas,  violência contra lésbicas, bissexuais e transexuais (LGBT) e a violência contra prostitutas.

A subsecretária de Estado de Informação e Tecnologias Educacionais, Júnia Sales Pereira, falou sobre a violência e as questões de gênero nas escolas. Insistiu em não banalizar este fenômeno, dando o máximo apoio às vitimas para lutar contra  a invisibilidade, registrando estes fatos, já que a violência contra a mulher foi silenciada historicamente e socialmente.

A representante, em Minas Gerais, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Anyky Lima, explicou que  a violência contra este grupo social é constante, pois sofrem agressão nas ruas, são humilhadas, roubadas e muitas são assassinadas.

A psicóloga da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, Isabel C. Brandao, participou do Painel “Violência contra as prostitutas”, contextualizando a problemática e expondo como o estigma que sofre a mulher que exerce a prostituição é fonte de todo tipo de violência.  Posteriormente, pudemos assistir ao vídeo Batom com preconceito – Comparando as putas com a gente? produzido pelo Projeto Diálogos pela Liberdade (promovido pela Pastoral  da Mulher de BH) . Neste vídeo de sensibilização apresenta-se um conflito cotidiano vivenciado pelas profissionais do sexo: a ocultação da atividade para manter-se preservada diante do olhar que julga e condena.

Na continuação do debate,  Maria Aparecida Menezes Vieira, coordenadora-geral da Associação das Prostitutas de Minas Gerais, abordou o tema. Para ela, a violência cometida contra as garotas e garotos de programa é invisível para a população. Ela reclamou dos órgãos públicos, e em particular os de direitos humanos, que têm dificuldade para abraçar a causa das prostitutas. Insistiu dizendo que a dificuldade procede de uma sociedade conservadora e preconceituosa, o que torna a questão mais moral e religiosa, do que social ou jurídica.

Violação de direitos humanos e estigma na prostituição feminina

Isabel Brandão, psicóloga da Pastoral da Mulher, apresenta o tema Violação de direitos humanos e estigma na prostituição feminina, compondo a mesa sobre “Impasse e desafios” realizada no seminário A prostituição: uma abordagem desde os direitos humanos (23 de setembro, Escola de Direito Dom Helder Câmara).

Isabel Brandão 

O que é o estigma? É um sinal, é uma tatuagem, diz Isabel Brandão, que inicia sua apresentação com esta pergunta e com um trecho da fala de Monique Prada, prostituta de Porto Alegre, ativista conhecida nas redes sociais por criar debates relacionados ao feminismo e questões políticas em torno de sua profissão.

“Eu sou aquela cuja palavra é constantemente invalidada – eu sou uma proscrita, e para cada uma das palavras que escrevo há alguém que sabe mais do que eu, estudou mais do que eu e leu mais do que eu e portanto, pode falar melhor do que eu sobre as coisas da minha vida. Há sempre por perto uma pessoa que já leu sobre prostitutas, e então as prostitutas sobre quem ela leu valem mais que as prostitutas com quem convivi e a quem conheço tão bem. Elas sabem mais de nós do que nós mesmas, ou pensam saber –  e seguir deixando que mulheres corram riscos por conta do estigma sobre suas profissões não lhes dói; o saber teórico delas parece ter mais valor do que nossas  putas vidas.”

Monique Prada

O QUE É SER MULHER?

Simone de Beauvoir

Para refletir o estigma, Isabel propõe algumas questões, dentre elas: o que é ser mulher? Ela traz a construção histórica do tema apoiada em três discursos que determinam o padrão hegemônico das condutas “normais e “desviantes” para  as mulheres.

  • Discurso religioso: santa versus pecadora. Mulheres eram vistas desse modo, especialmente na Idade Média (séc. XV a XVII) com a caça às bruxas. Neste discurso, todos os saberes femininos são destituídos. As curas e até mesmo os partos que as mulheres faziam eram considerados como feitiçaria. Por trás disso, aponta-se uma relação ambígua que envolve a mulher. No período neolítico ela tinha a posição de geradora, comparada à mãe terra, pois ela produzia um outro ser, como uma semente. Nessa época, o homem ainda não sabia qual a participação dele na reprodução; isso gerava medo e muitas fantasias ligadas à sexualidade que vai servir também para opressão da mulher.
  • Discurso jurídico: matrimônio baseado no direito romano contribuindo para a inferioridade jurídica da mulher. Junto com a instituição do matrimônio, vem a reclusão da mulher no lar e fora do âmbito de acesso à produção de bens. O matrimônio vira uma forma legítima de se viver a sexualidade e um modo de oprimir a mulher.
  • Discurso médico: diz que o destino biológico da mulher é ser mãe, deixando sua sexualidade restrita à reprodução. E parece que até hoje isso está em voga, pois a sociedade ainda enxerga a mulher como mama e útero, visto também nas políticas públicas de saúde.

“Esses três discursos convergem para um único ponto: o controle da sexualidade feminina. A consequência disso é a produção de uma identidade feminina a partir dessas construções, desses discursos que dizem que a identidade legítima de uma mulher é ser mãe e esposa. 

É importante pensar que esse modelo de rainha do lar é quase escravocrata, mas constitui-se como legítimo, ressalta Isabel.

Nessa construção, o que funda a identidade feminina são as diferenças biológicas. O corpo feminino, até mesmo pelo ato sexual em si, no qual a mulher é penetrada, mostra uma destituição de poder e um abuso sobre o corpo do outro.  As diferenças biológicas se convertem em elementos centrais que manifestam a hierarquia social (dita natural) entre homens e mulheres. E determinam-se aí comportamentos ditos naturais, mas que no fundo são opressivos.

Essas diferenças são a base para o estabelecimento de direitos sexuais desiguais para homens e mulheres; favorecem a criação dos conceitos de passividade (mulher) e atividade (homem) que perpetuam o modelo de dominação masculina sobre a mulher e naturaliza o desequilíbrio de poder entre os sexos; e são referências para a construção de estratégias pedagógicas para ensinar às mulheres o que é “ser uma mulher decente”.

Familia_PatriarcalNo contexto de uma sociedade patriarcal, machista e capitalista em emergência, o controle da sexualidade estará a serviço de uma ordem econômica. Nessa época não havia DNA, então o nome era uma forma de garantir a paternidade, com a função de assegurar a patrilinearidade na transmissão de bens e recursos. Para conseguir essa segurança, a mulher era praticamente enjaulada socialmente. Em cima disso, constituiu-se  um modelo hegemônico do que seja “normalidade”.

Propriedade do corpo feminino => garantia da paternidade => garantia de transmissão da herança.

RECURSOS PARA MANTER A ORDEM SEXISTA

“A prostituição é uma construção social com motivação pedagógica e está ali para nos ensinar o que acontece se nos afastamos do que é conveniente.” (Dolores Juliano)

Isabel ressalta que o status sexual da mulher está sempre sob suspeita (roupa que vestimos, o lugar que frequentamos e tudo o que fazemos colocará sob suspeita o nosso status sexual). Tudo é usado para justificar a desonra da mulher, sempre com foco na castidade e no pudor. Desde a infância aprendemos como nos comportar para não parecer uma “puta”.

Colocar sob suspeita o status sexual da mulher é uma estratégia disciplinar que desvia o foco do problema central, que é o questionamento do modelo de sexualidade, que estigmatiza quem não o segue. Com isso criam-se dois pólos: 1- mulheres decentes; 2- as indecentes (ou prostitutas). Isso enfraquece as relações de solidariedade entre as mulheres, que passam a  reproduzir a opressão por temerem ser identificadas como “desviadas”, ou seja, a ameaça do estigma de “puta”mantém as mulheres subordinadas.

“Morreu violentada por que quis. Saía, falava, dançava. Podia estar quieta e ser feliz.” (Letra da música MÔNICA – Angela Rô Rô)

PROSTITUIÇÃO 

A prostituição é uma instituição social que supõe intercâmbio de serviços sexuais por dinheiro. Mulheres que realizam esse serviço são estigmatizadas e discriminadas. Esse intercâmbio sexo-dinheiro tem determinada valorização ideológica, que leva à construção simbólica de valor ou desvalor, dependendo das instituições as quais pertence.

O ESTIGMA

O estigma é um sinal que se coloca sobre as pessoas que foram designadas para sofrer um trato discriminatório e se apresenta como uma construção social baseada em estereótipos que levam a preconceitos (pressupostos negativos), à discriminação e ao distanciamento social da pessoa estigmatizada.

O QUE É SER PROSTITUTA?

“Talvez pouca coisa seja mais reveladora da hipocrisia e moralismo irresponsável de nossos tempos do que não conseguirmos admitir que mulheres trabalhadoras estejam sendo sistematicamente isoladas de decisões sobre o trabalho que exercem, silenciadas, relegadas à categoria de seres não pensantes, empurradas para a clandestinidade ou mesmo mortas em série pela máxima culpa de uma sociedade que prefere o pânico moral à sensatez.”

Monique Prada

O estigma na prostituição vai ser consequência do modelo de sexualidade, dessa moral hipócrita, que estabelece direitos sexuais desiguais para homens e mulheres: o que é motivo de  desonra para as mulheres é vanglória para os homens. Então, diante desse olhar, a mulher estará sempre restrita à esfera do lar, não poderá fazer sexo fora do âmbito afetivo ou reprodutivo. Além disso, estará limitada nas possibilidades de acesso aos próprios recursos econômicos, ressalta Isabel Brandão na sua perspectiva histórica.

A GRAVIDADE DO ESTIGMA

O estigma não se dirige à atividade, mas à pessoa,  às mulheres que exercem a prostituição, neste caso. Pelo fato de exercer essa atividade, todas as violações de direitos e discriminações ficam justificadas pelo simples fato de terem feito uma opção  que não confere com o padrão hegemônico da sociedade.

Ser puta vira o máximo castigo por ousar transgredir as normas patriarcais.

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POR QUE AS MULHERES QUE EXERCEM A PROSTITUIÇÃO ESTÃO EM SITUAÇÃO DESFAVORÁVEL?

  • Prostituição é vista como um forma de vida relacionada à delinquência, ao desajuste; puta significa sempre desonra e indignidade. Todo o entorno da prostituição passa a ser criminalizado.
  • A atividade atribui uma identidade a quem a exerce: uma mulher não trabalha como prostituta, ela é uma prostituta.
  • Esta é uma marca sem volta, que a acompanha por toda a vida. O descrédito em relação à pessoa que exerce esta atividade é tão amplo que a inabilita para uma aceitação social.

Então,  apesar da história de luta das prostitutas, para reivindicar direitos a elas precisam mostrar a cara. Mas, diante de todo esse panorama, como fazer isso?

O ESTIGMA E SEUS DISCURSOS

Vítima: se a mulher está na prostituição por adversidade do destino, é melhor aceito pela sociedade, que a enxerga como vítima.  Ela passa a ser  aquela que precisa ser “salva”, “resgatada”.

Delinquente, subversiva: se a mulher escolhe a prostituição (opção legítima), ela será vista como subversiva. A prostituição é encarada como possibilidade de exercer liberdade, autonomia e resistência.

  • Subversão Manifesta: ao vender sexo a mulher rompe com o modelo hegemônico (rainha do lar).

  • Subversão Latente: Liberdade sexual e autonomia econômica.

DSC09093Aqui, o que está latente é a liberdade sexual e econômica dessa mulher. A prostituição é um lugar que traz muita liberdade para as mulheres. Não há apenas coisas ruins, explica Isabel, que traz também alguns breves exemplos advindos de sua experiência na Pastoral da Mulher.

VIOLÊNCIA

  • No Imaginário social, meios de comunicação e sociedade em geral: prostituição não é vista como uma atividade mas como uma identidade: a prostituta é vista como má mãe, má pagadora, vadia; mulheres manipuladas, mulheres exploradas e sempre vinculadas à delinquência.
  • No trabalho: marginalização e vulnerabilidades de direitos (violência, insalubridade, “alta produtividade”). Há muita exploração econômica. Em Belo Horizonte, por exemplo, os locais de prostituição não oferecem condições adequadas, não têm a regulamentação, são insalubres etc. Muitas vezes, para cumprir o custo fixo do trabalho, que é o material de trabalho e o aluguel do espaço, a mulher precisa trabalhar demais para pagar isso e, só depois, começar a tirar o dela.
  • No direito: a prostituição no Brasil não é crime, mas também não existe regulamentação de profissão. O pior vem com a perda de direitos humanos e civis pelo simples fato de ser prostituta. Se ela vai reclamar em uma delegacia, muitas vezes escuta: o que você estava fazendo lá?A Lei Maria da Penha é só para violência doméstica. Preconceitos e pânicos morais:  prostituição vista como marginalidade.
  • Social: assédio, culpabilidade em caso de abuso sexual, privação de liberdade e autonomia na vida sexual. Mesmo quando a prostituta não está no seu local de trabalho, ela é assediada como tal. Ela parece ser para os homens aquela mulher sempre disponível, o que prejudica sua autonomia e privacidade sobre a sua vida pessoal.
  • No amor: corpo privado de uma sintonia afetiva; precarização das relações afetivas, inclusive familiares. Observa-se a dificuldade de se relacionar por ter que esconder seu trabalho, por manter uma identidade dupla.
  • No campo psicológico: construção de um estereótipo socioafetivo para justificar a entrada na prostituição. Pensa-se sempre que a mulher veio de família pobre, desregrada, dentre outros fatores que marginalizam aquela pessoa. Mas nem todo mundo que tem dificuldades vai para a prostituição. É preciso entender as opções.
  • Ambivalência do trabalho sexual: sentem vergonha do que fazem, o que as levam a viver uma vida dupla escondendo o que fazem. Elas escolhem o que fazem, mas têm medo de assumir.
  • Autoestigma: identificação com o discurso dominante. Ela passa a se ver com os olhos daquilo que ela ouve sobre ela. Como ela vai exigir um reconhecimento social se ela se vê com esse olhar de discriminação?

“IDENTIDADE INDIVIDUAL E SOCIAL SOMENTE É POSSÍVEL QUANDO HÁ RECONHECIMENTO INTERSUBJETIVO”.
(
AXEL HONNETH)

Isabel destaca que a violação  de direitos se dá em três campos:

  • Integridade física e psicológica: sujeitas a maus tratos, violência banalizada e dita como normal (nas relações sociais e afetivas).
  • Integridade social: privação de direitos, exclusão (relações jurídicas) sem leis que regulamentem seu trabalho.
  • Degradação e ofensamorte social, identificada com o discurso dominante que não a reconhece como ser político e cidadã capaz de reivindicar direitos.

AUTOESTIGMA: O MÁXIMO DA VULNERAÇÃO DE DIREITOS

  • Pré-concepções construídas sobre estereótipos obrigam a prostituta a esconder a atividade que exerce para evitar o preconceito e a discriminação. Exercer uma atividade que não tem valorização social é motivo de sofrimento e humilhação.
  • Estigmatizada, a prostituta não poderá manter uma identidade positiva sobre si mesma, já que se vê com os mesmos olhos de quem a discrimina. A desqualificação social de determinados grupos as coloca como responsáveis pela própria “tragédia” e oculta a raiz social desses conflitos.
Judith Butler

Judith Butler

Para exemplificar o perigo do preconceito e do estigma, Isabel finaliza citando Judith Butler, que ao falar sobre homossexuais citou o caso de um rapaz que foi linchado pelo simples fato de estar andando com um andar feminino. Ela faz a seguinte pergunta: será que é legítimo determinar que uma pessoa não pode existir simplesmente por não concordarmos com a forma de vida que ela escolheu para viver?

Isabel Brandão: psicóloga (graduada em psicologia pela PUC Minas, pós-Graduada em Análise Institucional, Esquizoanálise e Esquizodrama. Trabalha desde 2008 na Pastoral da  Mulher, com atenção individual e grupal para  o nosso público alvo.

Referências:

  1. La reglamentación de la prostituición em el Estado Espanhõl- Gemma Nicolás Laz;
  2. El trabajo sexual em la mira. Polémicas e estereótipos – Dolores Juliano;
  3. Amor, um real por minuto – ThaddeusBlanchetie e Ana Paula da Silva;
  4. Luta por reconhecimento; A Gramática Moral dos Conflitos Sociais – Axel Honneth;
  5. A vueltas com La prostituicón – Holgado Fernández, Isabel;
  6. Profissionais do sexo – uma perspectiva antropológica do estigma da prostituição – Vanessa Petró.

Lançamento da Campanha Diálogos pela Liberdade 2015 e 33 Anos de Pastoral da Mulher

No dia 16 de setembro de 2015, realizou-se o lançamento da campanha 2015 do Projeto Diálogos pela Liberdade, data em que também foi comemorado o 33º aniversário da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, instituição idealizadora do projeto. O lançamento  serviu para apresentar publicamente as ações planejadas para o Diálogos 2015, novamente apoiado pela Misereor, grande parceira de caminhada .

capa 33 anos pastoral

O evento contou com numerosa presença das mulheres que exercem a prostituição nos hotéis da Guaicurus, que lotaram o Espaço de Acolhida Cantinho da Paz, localizado na sede da Pastoral da Mulher. Contamos também com a presença da Sociedade Civil Casas de Educação (das Irmãs do Sagrado Coração de Maria), representadas por Iracema Soares;  Escola de Enfermagem da UFMG (representadas por quatro das estudantes que desenvolvem conosco as Oficinas de saúde) e representantes da APROSMIG – Associação das Prostitutas de Minas Gerais.

Foram apresentados o conceito e os instrumentos de comunicação elaborados, tais como a revista em quadrinhos intitulada “As garotas do hotel”, os cartazes e panfletos que visam conscientizar os clientes e a sociedade em geral contra o preconceito, e também vêm reforçar a necessidade de atenção à saúde das mulheres, chamando-as ao empoderamento pela vida.

Foram apresentados, em primeira mão, os vídeos de sensibilização produzidos para serem veiculados via internet, focando principalmente as redes sociais. Uma equipe de atrizes e atores, diretores de cena, produtores, dentre outros profissionais se mobilizaram e abraçaram a causa como voluntários. Essa união resultou em um belíssimo trabalho audiovisual.

Dois vídeos mostram parte do preconceito vivenciado pelas mulheres que exercem prostituição. Em suas vidas sociais, fora do ambiente dos programas, elas precisam lidar com a discriminação, com o assédio, com o estigma. Os vídeos serão oficialmente lançados no dia 24 de setembro, no Seminário A Prostituição: uma abordagem desde os Direitos Humanos, a realizar-se na Escola de Direito Dom Helder Câmara.

Após exibição dos vídeos, abriu-se a roda para comentários e ficou clara a identificação das mulheres com as cenas propostas, ratificando ainda mais a base de informações utilizadas para criação do roteiro. Tudo entrou em sintonia! As atrizes captaram a essência, a produção atentou para cada detalhe, o cuidado com a fotografia e com o conteúdo foram extremamente importantes para que tudo saísse perfeito. Nada seria possível sem o apoio de todas as pessoas envolvidas.

Em um segundo momento,   ocorreu a  memória e  ação de graças pelos 33 anos de vida da Pastoral. Uma das fundadoras da instituição,  Ir. Ivoni Grando, do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, trouxe à tona a história da Pastoral, que começou no bairro do Bonfim em 1982 (Belo Horizonte). Ao fazer uma síntese histórica,  ela lembrou das irmãs, voluntári@s e mulheres que foram passando ao longo dos anos pela Pastoral, em um emocionante relato.  Em seguida, Ir. Pilar Laria declamou um poema em homenagem a este dia.  As outras irmãs oblatas que também compõem a atual equipe da Pastoral (Ir. Leonira Camattta,  Ir. Amélia Cesconato  e Ir. Evelyn Caroline), ajudaram no bom desenvolvimento da celebração. Todas,  com sua generosa entrega à causa da mulher em situação de prostituição, junto com outras irmãs que também ajudaram a construir a caminhada da entidade, fizeram e fazem possível manter a missão e a esperança que sustenta a Pastoral da Mulher e todos os Projetos Oblatas. Juntamente com elas, esteve presente nossa engajada equipe de profissionais voluntários que colaboram para a realização do evento.
A festa seguiu acompanhada de muita música interpretada por Iracema (Rede Sagrado-REAJE), bolo de aniversário e partilha.

O projeto Diálogos pela Liberdade teve início em 2014, ano em que focou o Tráfico de pessoas, em especial o Tráfico de Mulheres para fins de exploração sexual. Na época, foi realizado um Congresso Internacional na sede da OAB/MG e também um Cine-Diálogos, com apoio da Escola de Direito Dom Helder Câmara.

Neste ano, o projeto aborda diretamente a missão da Pastoral da Mulher, que busca condições para a defesa das garotas de programa, dando-lhes suporte na defesa da vida, da liberdade, da segurança pessoal, da proteção contra a violência, da proteção da igualdade perante a lei, da liberdade de expressão e da não discriminação.

O projeto visa atuar em dois âmbitos diferenciados e, ao mesmo tempo, inter-relacionados:
  • Enfrentamento do estigma e sensibilização social para diminuir o preconceito e a discriminação sofrida pelas prostitutas.
  • A promoção dos direitos humanos dessas mulheres focando seu empoderamento.

Diálogos realiza vídeos de sensibilização contra o preconceito sofrido por prostitutas

Encontro Diálogos
A Pastoral da Mulher de BH (Unidade Oblata em MG) recebeu na sua sede o diretor de fotografia e artista visual, Guilherme Costa,  Nanda Soares, comunicadora e articuladora social, e a equipe de produção e atores que se uniram ao Projeto Diálogos pela Liberdade a fim de produzir dois vídeos de sensibilização contra o preconceito sofrido pelas prostitutas.

Este projeto, realizado em parceria com Misereor, agrega também outros materiais de sensibilização, tais como a revista em quadrinhos que leva o título de “As garotas do hotel”, cartazes e folhetos que serão distribuídos no hipercentro de BH (zona Guaicurus). Além disso, para ampliar o debate e reflexões trazidas pelo projeto, será realizado um Seminário sobre “Prostituição e Direitos Humanos”, com data prevista para Setembro, na Escola de Direito Dom Helder Câmara.

O diretor Guilherme  Costa, também conhecido como “Guilherme Pedreiro”, é um jovem e brilhante pesquisador de linguagens visuais, que conseguiu reunir um nutrido elenco de atores e atrizes profissionais, com experiência no teatro e cinema, para nos apoiar.

Durante a reunião, comentamos aspectos relativos à atuação da Pastoral e à realidade vivenciada cotidianamente pelas mulheres que exercem a prostituição, abordando a essência do conteúdo dos roteiros, bem como o propósito dos vídeos. A roteirista Nanda Soares falou sobre a construção dos textos, que tiveram como base o trabalho de campo da Pastoral, depoimentos das mulheres atendidas, a pesquisa relativa às relações de gênero e machismo embutido nos diálogos, bem como o olhar das profissionais do sexo sobre o preconceito que enfrentam. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre as consequências do estigma na vida das mulheres que exercem a prostituição, mas também empoderá-las pela defesa dos seus direitos.

Depois de combinar a data dos ensaios e filmagem, o nosso encontro terminou com uma salva de palmas, pela riqueza da partilha, pela criatividade das propostas e  pelo entusiasmo manifestado por todos e todas para este trabalho. Agradecemos muito a disponibilidade e colaboração deste valioso grupo de artistas com a nossa causa.

Jornal Grito Mulher aborda estigma e violações de direitos humanos das prostitutas

Esta edição do Grito Mulher pretende suscitar o debate sobre a situação das mulheres que exercem a prostituição, o estigma e as violações de direitos humanos que lhes afetam particularmente (como violência, falta de condições mínimas de higiene, insalubridade dos locais de prostituição, exploração econômica e a falta de proteção frente a determinados clientes e donos desses locais). Para além da velha e ultrapassada discussão entre abolicionistas e regulamentaristas, pretendemos promover a reflexão a partir de novas perspectivas, surgidas dos relatos e demandas apresentadas pelas próprias mulheres que estão nesse meio. Buscamos também motivar a discussão sobre quais são as medidas mais eficazes para seu empoderamento e para sua proteção social e jurídica. A experiências destes anos no acompanhamento de mulheres em situação de prostitui- ção nos ensinou que não serve qualquer medida abolicionista nem qualquer tipo de regulamenta- ção. O enfrentamento da vulnerabilidade e a discriminação que sofrem nos exige “sair da caixinha”, pensar diferente, determinar caminhos alternativos, em colaboração com outras entidades e movimentos sociais e com as próprias associações de prostitutas que lutam para melhorar suas condições de vida.

ATO PÚBLICO CONTRA O TRÁFICO DE PESSOAS COM FINS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL

No dia 23 de setembro (Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças) a Pastoral da Mulher, realizadora do Projeto Diálogos pela Liberdade, participará do ato público em defesa das mulheres e contra a exploração de crianças junto à CRB – Rede Um Grito Pela Vida, representantes de pastorais, Campanha Coração Azul de Minas Gerais, voluntários e outras entidades.

Local: Praça Sete, em Belo Horizonte/Minas Gerais

Horário: 15:30 h

Objetivo: sensibilizar e alertar a sociedade quanto ao tráfico de pessoas.

Atividades gerais: apresentações musicais, peças de teatro, filmes, distribuição de material informativo.

PARTICIPE!

Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos – Participe do Grito dos Excluídos 2014!

O 20º Grito dos Excluíd@s 2014 traz como tema “Ocupar ruas e praças por liberdade de direitos”, temática que está ligada à Campanha da Fraternidade de 2014, “Fraternidade e Tráfico Humano”. São várias as atividades que marcam o Grito em todo o Brasil, como atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos.

Em Belo Horizonte, a concentração acontecerá nesse domingo, 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, às 9:30 h, na Praça da Rodoviária. Traga música, dança, indignação, esperança e desejo de “ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”.

O que é o Grito dos Excluíd@s?

O Grito dos Excluíd@s é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.

O Grito dos Excluíd@s, como indica a própria expressão, constitui-se numa mobilização com três sentidos: denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social; tornar público, nas ruas e praças o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome; propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.

  1. O Grito se define como um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar a atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que @s próprios excluíd@s, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças.