Assédio no metrô – Garota, não se deixe intimidar!

O Projeto Diálogos pela Liberdade produziu o vídeo-animação “Assédio no metrô”, que aborda a realidade vivenciada cotidianamente pelas mulheres.  Com a missão de promover a cidadania e a autonomia das mulheres que exercem a prostituição,  a proposta é trazer à tona violações de direitos comuns a todas as mulheres, mas que se agravam quando estas são desqualificadas como pessoas por conta de suas atividades, sendo ainda mais expostas à violência.

Quando se trata de uma garota de programa, o assédio, o sentido de poder e o abuso podem piorar, sendo caracterizados como algo normal. Depoimentos de mulheres atendidas pelo projeto demonstram que a violência passa a ser considerada pela sociedade como algo natural e resultado de seu papel social. Ou seja, a culpa é sempre da mulher que se colocou naquela situação e seus direitos humanos são deixados de lado.

Denúncias desconsideradas, direitos violados, ameaças e assédio fora do local de prostituição foram relatados. A produção do roteiro deste vídeo  tem como inspiração experiências e histórias das próprias mulheres atendidas pelo projeto. Com o objetivo de enfrentar o preconceito, a violência e a desigualdade de gênero, Diálogos pela Liberdade traz questionamentos e convida a refletir. A sensibilização não é algo fácil, assim como a vida dessas mulheres também não é. Faz-se necessário dialogar, denunciar e empoderar as mulheres para que possamos construir um mundo mais justo.

“Toda mulher tem o direito de não sofrer discriminação. Todo ser humano tem direitos, mas sabemos que esses não têm sido respeitados, que tem muita violação de direito no Brasil, e principalmente quando se trata de mulher. Por termos nascido num país machista e preconceituoso, a violação dos direitos humanos tem base em uma cultura hipócrita. Mas se a gente se calar, isso nunca vai mudar. Precisamos ter ousadia  e dizer: sou mulher e mereço respeito, sou uma cidadã e tenho direitos.” 

(Rosa Maria – Mulher atendida pelo

Projeto Diálogos pela Liberdade)

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O projeto

O Projeto Diálogos pela Liberdade é uma iniciativa da Rede Oblata, que trabalha a problemática que afeta diretamente as mulheres que exercem a prostituição. O projeto visa conscientizar sobre o estigma sofrido pelas garotas de programa, trabalhalhando temas como desigualdade de gênero, empoderamento, cidadania, vulnerabilidade social e violações de direitos.

Ofere rodas de conversa, atendimento psicológico, terapias holísticas, cursos de capacitação, orientação e encaminhamento para redes socioassistenciais.

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VÍDEO
Coordenação: 
Diálogos pela Liberdade
Roteiro e Direção Criativa: 
Conectidea - Comunicação & Articulação social
Ilustração/Animação: 
estúdio Black Ink
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ASPROMIG divulga projeto de Museu do Sexo e seleciona residentes para criação de obras

Reprodução imagem fan page aprosmigA APROSMIG está selecionando residentes para o Museu 𝐃𝐀𝐒 𝐏𝐔𝐓𝐀𝐒! , que tem como objetivo a produção de obras com a temática do sexo, a partir das experiências e vivências das prostitutas.

Segundo a associação, os residentes serão os responsáveis pela produção das obras e ficarão um mês imersos nos hotéis da Rua Guaicurus – BH/MG, um dos maiores complexos de prostituição do Brasil.

As inscrições vão até o dia 17 de agosto de 2016.

Podem se inscrever para a residência prostitutas, artistas, pesquisadores, entre outros profissionais. O Museu do Sexo das Putas possui caráter interdisciplinar e, por isso, a variedade de formações será contemplada na escolha dos residentes. Será selecionado pelo menos um residente de cada região do país. É necessário ter disponibilidade para ficar o mês de setembro imerso nos quartos de hotéis. Cada residente receberá a remuneração de R$ 3mil.

Acesse  o edital  AQUI.

Fonte: ASPROMIG 

Diálogos marca presença no Ciclo de Debates da ALMG – Mulheres contra a Violência: Autonomia, Reconhecimento e Participação

Diálogos pela Liberdade na ALMGA Equipe da Pastoral da Mulher de BH, Unidade Oblata em Minas Gerais, participou do Ciclo de Debates “Dia Internacional da Mulher – Mulheres contra a Violência: Autonomia, Reconhecimento e Participação”, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O evento faz parte das reflexões propostas pelo Legislativo mineiro a partir do Dia Internacional da Mulher  (8 de março) para abordar os tipos de violência contra a mulher, que vão além da agressão física.

Dentre os objetivos do evento, destaca-se a discussão acerca das diversas situações de violência que as mulheres enfrentam no dia a dia, com foco em questões relativas à raça, orientação sexual, faixa etária, situação de privação de liberdade, mulheres deficientes,  mulheres do campo e da floresta,  quilombolas e às profissionais do sexo. Foi abordada também a importância da desconstrução do machismo na sociedade brasileira para o enfrentamento da violência contra a mulher. A deputada Marília Campos (PT), que acompanhou e participou ativamente neste Ciclo de debates, ressaltou a campanha #NãoSeCale, adotada neste ano para convocar as mulheres à mobilização.

Os debates da manhã, coordenados pela deputada Geisa Teixeira (PT),  abordaram as questões de gênero nas escolas,  violência contra lésbicas, bissexuais e transexuais (LGBT) e a violência contra prostitutas.

A subsecretária de Estado de Informação e Tecnologias Educacionais, Júnia Sales Pereira, falou sobre a violência e as questões de gênero nas escolas. Insistiu em não banalizar este fenômeno, dando o máximo apoio às vitimas para lutar contra  a invisibilidade, registrando estes fatos, já que a violência contra a mulher foi silenciada historicamente e socialmente.

A representante, em Minas Gerais, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Anyky Lima, explicou que  a violência contra este grupo social é constante, pois sofrem agressão nas ruas, são humilhadas, roubadas e muitas são assassinadas.

A psicóloga da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, Isabel C. Brandao, participou do Painel “Violência contra as prostitutas”, contextualizando a problemática e expondo como o estigma que sofre a mulher que exerce a prostituição é fonte de todo tipo de violência.  Posteriormente, pudemos assistir ao vídeo Batom com preconceito – Comparando as putas com a gente? produzido pelo Projeto Diálogos pela Liberdade (promovido pela Pastoral  da Mulher de BH) . Neste vídeo de sensibilização apresenta-se um conflito cotidiano vivenciado pelas profissionais do sexo: a ocultação da atividade para manter-se preservada diante do olhar que julga e condena.

Na continuação do debate,  Maria Aparecida Menezes Vieira, coordenadora-geral da Associação das Prostitutas de Minas Gerais, abordou o tema. Para ela, a violência cometida contra as garotas e garotos de programa é invisível para a população. Ela reclamou dos órgãos públicos, e em particular os de direitos humanos, que têm dificuldade para abraçar a causa das prostitutas. Insistiu dizendo que a dificuldade procede de uma sociedade conservadora e preconceituosa, o que torna a questão mais moral e religiosa, do que social ou jurídica.

Diálogos provoca reflexão com o vídeo “Batom com preconceito – Comparando as putas com a gente?”

O estigma que acompanha as mulheres que exercem a prostituição interfere diretamente em suas vidas sociais, seja no contexto familiar, em ambientes públicos, de estudo ou nos próprios locais onde moram. Elas precisam lidar com a insegurança, com o preconceito, discriminação e assédio. Afinal, como ser protagonista nesta situação?

O Projeto Diálogos pela Liberdade vem trazer uma reflexão acerca desta problemática. As garotas de programa acabam sendo reduzidas a uma condição de fragilidade e/ou marginalidade, o que abre brechas para graves violações dos seus direitos, tendo suas vidas sociais e pessoais invadidas com base em sua atividade. Neste segundo vídeo de sensibilização produzido pelo projeto, apresentamos um conflito cotidiano vivenciado pelas profissionais do sexo: a ocultação da atividade para manter-se preservada diante do olhar que julga e condena.

Duas mulheres, duas visões de mundo. Tão perto e tão longe, elas estão cercadas pelos seus dilemas, suas dificuldades e anseios. Compartilham o café, os cosméticos, mas não o modo de pensar. Um simples diálogo revela para o espectador e para a espectadora a luta interior de Rita, que em poucos segundos pode ser desqualificada como amiga, mulher, cidadã, mãe, apenas pelo peso do seu ganha-pão. Sim, a prostituição que é sustentada pelos homens e muitas vezes transformada em negócios lucrativos, torna-se uma via de mão dupla. Não é uma vida nada fácil.

Foi uma escolha? Houve outras saídas ou há uma saída? Esta não é a questão. Ao se revelar ela poderia perder a credibilidade de todas as outras posições que ocupa na sociedade, ter seus direitos vistos como secundários. Apesar de empoderada e consciente, Rita prefere o silêncio e nos convida a refletir sobre a hipocrisia da sociedade.

Informações:
O projeto DIÁLOGOS PELA LIBERDADE busca superar visões distorcidas, moralistas e preconceituosas sobre as garotas de programa, que acabam por colocá-las como “vítimas” ou “coitadinhas”, reduzindo-as aos aspectos de fragilidade, impotência e imobilidade. 

É preciso fomentar a área de conhecimento sobre direitos da mulher e sensibilizar contra a violência de gênero. Nosso objetivo é empoderar as mulheres que exercem a prostituição para que, mediante sua autogestão, melhorem suas condições de vida. Além disso, propomos uma ampla reflexão sobre o tema. | dialogospelaliberdade.com
*Rita e Ana são nomes escolhidos aleatoriamente para as personagens. 

Mulher, mãe, irmã, filha, provedora, cidadã, prostituta. Elas têm direito a melhores condições de trabalho, saúde e segurança, assim como você? PENSE! ENFRENTE SEU PRECONCEITO.

Clique aqui e acesse o vídeo – Assédio no Bar

Idealização

Projeto Diálogos pela Liberdade

Assessoria e Gestão de Projeto

Conectidea – Comunicação e Articulação Social

Realização e coordenação de vídeo

GUILHERME PEDREIRO

Atrizes

CRIS MOREIRA

LUDMILLA RAMALHO

Direção

GUILHERME PEDREIRO

Direção de cena

LEANDRO WENCESLAU

Direção de fotografia

GUILHERME PEDREIRO

Roteiro

NANDA SOARES

Preparação de atores

ODILON SCHAPER ESTEVES

Direção de arte e figurino

THÁLITA MOTTA

Maquiagem

NATALIZ GONZAGA

Assistentes de produção

DAYANNE MIRANDA

GUIDA FELIPE

Assistente de Fotografia e Gaffer

BRENO CONDE

Operação de câmera

THIAGO SILVA COELHO

Operador de ronin

GUILHERME LEMOS

RODRIGO COSTA

Fotografia still e making off

BERNARDO TEIXEIRA

JULIA RESENDE TAVARES

Som direto

NELIO COSTA

Trilhas e sound designer

PEDRO JÁCOME

Montador e colorista

GUILHERME PEDREIRO

Agradecimentos

FERNANDO EVANGELISTA

LEONARDO BARCELOS

HENRIQUE FERREIRA CUNHA

VICTOR GUTEMBERG

ERICK RICCO

FELIPE GURI

RODRIGO FRAGA

Apoio

MISEREOR

CONECTIDEA

A CASA

ESTÚDIOS QUANTA

BIL’S CINEMA E VIDEO

ERA

JAGER FILMES

O Amor é Lindo!

Meu cliente favorito sumiu!

Bobo. Ele saiu fora me devendo. Tantas vezes veio e pagou direitinho; dávamos bem. Conversávamos bastante, falando de tudo. A gente estava se curtindo, eu sei.

O amor é lindo

Mas, desde a semana retrasada veio com uma tristeza na cara dizendo que não ficaria comigo neste dia porque sua firma não o havia pagado.

Eu disse a ele que depois me pagasse; e ficamos. Na verdade, não o cobraria. O agarraria e jogaria pra dentro do meu quarto, se preciso fosse.

Fizemos melhor que as outras vezes. E demorado mais que das outras vezes. Nem vi o tempo passar! Perdi dinheiro, com certeza, com clientes batendo à porta, a me esperar. Nem liguei.

Ele disse que voltaria no dia seguinte pra ver-me, ainda mais que é seu caminho de casa; passar no centro onde atendo.

 Mas o dia passou com eu contando cada minuto. O outro dia também.

Comentei com uma colega, que percebera meu transtorno, e ela, lógico, comentou o mais provável: aproveitaram de mim.

Mas não acreditei. Continuei esperando-o.

Passadas essas duas semanas, eu encontro a mesma amiga que me vê de volta à minha simpatia costumeira (sem ver meu “eu” por dentro). E, de repente, ela pergunta do moço da Copasa, aquele da “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”- ironizou-me.

E respondo, fria, que eu perdi dinheiro. Porém ele perdeu uma companheira; uma companheira amorosa, dedicada, caprichosa, que largaria tudo por ele. Que daria todos os dias muito amor pra ele. Que quando ama não enxerga outro homem que não seja este.

Vanusa - Mulher, cidadã, escritora, mãe, estudante, prostituta. 

A Descoberta do Estigma

Preços dos hotéis de prostituição bh

“Esses preços sufocam às mulheres que trabalham nos hotéis”

P.Q.P., eu não sabia que virar prostituta rendesse tanto! (não falo de dinheiro)

Como rende assunto e mobilização!

É na TV, nos noticiários, nos trabalhos acadêmicos jornalísticos, médicos, farmacêuticos, psicológicos, sociológicos, de direitos civil e humanistas.

Poxa… entrar pro puteiro sem a mínima ideia do que representa penetrar no mundo aparentemente inconsequente; cujo intuito para mim era colher recursos financeiros para abastecer os armários lá de casa! Ô!

Puta merda, agora ando nas ruas e me apontam. Eu poderia não estar nem aí, porém, observando e aprendendo sobre o que é a prostituição no mundo, vejo o que há de consequência emocional, psicológica, na saúde do corpo, no cotidiano social e numa inserção ao trabalho secular.

“Ninguém nos quer”. Eu poderia dizer, depois de ver isso tudo, diante de tudo que hoje vivencio, aprendo e sinto na pele: isso é estigma. Ele existe; é radical, e deve, sim, ser estudado, discutido e debatido por cada um de nós.

Parabéns a todos que participaram do Seminário.

Vanusa - Cidadã, escritora, mãe, estudante, prostituta. 

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Acesse os infográficos:

CONDIÇÕES DE TRABALHO

DINHEIRO “FÁCIL PRA QUEM?

Violação de direitos humanos e estigma na prostituição feminina

Isabel Brandão, psicóloga da Pastoral da Mulher, apresenta o tema Violação de direitos humanos e estigma na prostituição feminina, compondo a mesa sobre “Impasse e desafios” realizada no seminário A prostituição: uma abordagem desde os direitos humanos (23 de setembro, Escola de Direito Dom Helder Câmara).

Isabel Brandão 

O que é o estigma? É um sinal, é uma tatuagem, diz Isabel Brandão, que inicia sua apresentação com esta pergunta e com um trecho da fala de Monique Prada, prostituta de Porto Alegre, ativista conhecida nas redes sociais por criar debates relacionados ao feminismo e questões políticas em torno de sua profissão.

“Eu sou aquela cuja palavra é constantemente invalidada – eu sou uma proscrita, e para cada uma das palavras que escrevo há alguém que sabe mais do que eu, estudou mais do que eu e leu mais do que eu e portanto, pode falar melhor do que eu sobre as coisas da minha vida. Há sempre por perto uma pessoa que já leu sobre prostitutas, e então as prostitutas sobre quem ela leu valem mais que as prostitutas com quem convivi e a quem conheço tão bem. Elas sabem mais de nós do que nós mesmas, ou pensam saber –  e seguir deixando que mulheres corram riscos por conta do estigma sobre suas profissões não lhes dói; o saber teórico delas parece ter mais valor do que nossas  putas vidas.”

Monique Prada

O QUE É SER MULHER?

Simone de Beauvoir

Para refletir o estigma, Isabel propõe algumas questões, dentre elas: o que é ser mulher? Ela traz a construção histórica do tema apoiada em três discursos que determinam o padrão hegemônico das condutas “normais e “desviantes” para  as mulheres.

  • Discurso religioso: santa versus pecadora. Mulheres eram vistas desse modo, especialmente na Idade Média (séc. XV a XVII) com a caça às bruxas. Neste discurso, todos os saberes femininos são destituídos. As curas e até mesmo os partos que as mulheres faziam eram considerados como feitiçaria. Por trás disso, aponta-se uma relação ambígua que envolve a mulher. No período neolítico ela tinha a posição de geradora, comparada à mãe terra, pois ela produzia um outro ser, como uma semente. Nessa época, o homem ainda não sabia qual a participação dele na reprodução; isso gerava medo e muitas fantasias ligadas à sexualidade que vai servir também para opressão da mulher.
  • Discurso jurídico: matrimônio baseado no direito romano contribuindo para a inferioridade jurídica da mulher. Junto com a instituição do matrimônio, vem a reclusão da mulher no lar e fora do âmbito de acesso à produção de bens. O matrimônio vira uma forma legítima de se viver a sexualidade e um modo de oprimir a mulher.
  • Discurso médico: diz que o destino biológico da mulher é ser mãe, deixando sua sexualidade restrita à reprodução. E parece que até hoje isso está em voga, pois a sociedade ainda enxerga a mulher como mama e útero, visto também nas políticas públicas de saúde.

“Esses três discursos convergem para um único ponto: o controle da sexualidade feminina. A consequência disso é a produção de uma identidade feminina a partir dessas construções, desses discursos que dizem que a identidade legítima de uma mulher é ser mãe e esposa. 

É importante pensar que esse modelo de rainha do lar é quase escravocrata, mas constitui-se como legítimo, ressalta Isabel.

Nessa construção, o que funda a identidade feminina são as diferenças biológicas. O corpo feminino, até mesmo pelo ato sexual em si, no qual a mulher é penetrada, mostra uma destituição de poder e um abuso sobre o corpo do outro.  As diferenças biológicas se convertem em elementos centrais que manifestam a hierarquia social (dita natural) entre homens e mulheres. E determinam-se aí comportamentos ditos naturais, mas que no fundo são opressivos.

Essas diferenças são a base para o estabelecimento de direitos sexuais desiguais para homens e mulheres; favorecem a criação dos conceitos de passividade (mulher) e atividade (homem) que perpetuam o modelo de dominação masculina sobre a mulher e naturaliza o desequilíbrio de poder entre os sexos; e são referências para a construção de estratégias pedagógicas para ensinar às mulheres o que é “ser uma mulher decente”.

Familia_PatriarcalNo contexto de uma sociedade patriarcal, machista e capitalista em emergência, o controle da sexualidade estará a serviço de uma ordem econômica. Nessa época não havia DNA, então o nome era uma forma de garantir a paternidade, com a função de assegurar a patrilinearidade na transmissão de bens e recursos. Para conseguir essa segurança, a mulher era praticamente enjaulada socialmente. Em cima disso, constituiu-se  um modelo hegemônico do que seja “normalidade”.

Propriedade do corpo feminino => garantia da paternidade => garantia de transmissão da herança.

RECURSOS PARA MANTER A ORDEM SEXISTA

“A prostituição é uma construção social com motivação pedagógica e está ali para nos ensinar o que acontece se nos afastamos do que é conveniente.” (Dolores Juliano)

Isabel ressalta que o status sexual da mulher está sempre sob suspeita (roupa que vestimos, o lugar que frequentamos e tudo o que fazemos colocará sob suspeita o nosso status sexual). Tudo é usado para justificar a desonra da mulher, sempre com foco na castidade e no pudor. Desde a infância aprendemos como nos comportar para não parecer uma “puta”.

Colocar sob suspeita o status sexual da mulher é uma estratégia disciplinar que desvia o foco do problema central, que é o questionamento do modelo de sexualidade, que estigmatiza quem não o segue. Com isso criam-se dois pólos: 1- mulheres decentes; 2- as indecentes (ou prostitutas). Isso enfraquece as relações de solidariedade entre as mulheres, que passam a  reproduzir a opressão por temerem ser identificadas como “desviadas”, ou seja, a ameaça do estigma de “puta”mantém as mulheres subordinadas.

“Morreu violentada por que quis. Saía, falava, dançava. Podia estar quieta e ser feliz.” (Letra da música MÔNICA – Angela Rô Rô)

PROSTITUIÇÃO 

A prostituição é uma instituição social que supõe intercâmbio de serviços sexuais por dinheiro. Mulheres que realizam esse serviço são estigmatizadas e discriminadas. Esse intercâmbio sexo-dinheiro tem determinada valorização ideológica, que leva à construção simbólica de valor ou desvalor, dependendo das instituições as quais pertence.

O ESTIGMA

O estigma é um sinal que se coloca sobre as pessoas que foram designadas para sofrer um trato discriminatório e se apresenta como uma construção social baseada em estereótipos que levam a preconceitos (pressupostos negativos), à discriminação e ao distanciamento social da pessoa estigmatizada.

O QUE É SER PROSTITUTA?

“Talvez pouca coisa seja mais reveladora da hipocrisia e moralismo irresponsável de nossos tempos do que não conseguirmos admitir que mulheres trabalhadoras estejam sendo sistematicamente isoladas de decisões sobre o trabalho que exercem, silenciadas, relegadas à categoria de seres não pensantes, empurradas para a clandestinidade ou mesmo mortas em série pela máxima culpa de uma sociedade que prefere o pânico moral à sensatez.”

Monique Prada

O estigma na prostituição vai ser consequência do modelo de sexualidade, dessa moral hipócrita, que estabelece direitos sexuais desiguais para homens e mulheres: o que é motivo de  desonra para as mulheres é vanglória para os homens. Então, diante desse olhar, a mulher estará sempre restrita à esfera do lar, não poderá fazer sexo fora do âmbito afetivo ou reprodutivo. Além disso, estará limitada nas possibilidades de acesso aos próprios recursos econômicos, ressalta Isabel Brandão na sua perspectiva histórica.

A GRAVIDADE DO ESTIGMA

O estigma não se dirige à atividade, mas à pessoa,  às mulheres que exercem a prostituição, neste caso. Pelo fato de exercer essa atividade, todas as violações de direitos e discriminações ficam justificadas pelo simples fato de terem feito uma opção  que não confere com o padrão hegemônico da sociedade.

Ser puta vira o máximo castigo por ousar transgredir as normas patriarcais.

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POR QUE AS MULHERES QUE EXERCEM A PROSTITUIÇÃO ESTÃO EM SITUAÇÃO DESFAVORÁVEL?

  • Prostituição é vista como um forma de vida relacionada à delinquência, ao desajuste; puta significa sempre desonra e indignidade. Todo o entorno da prostituição passa a ser criminalizado.
  • A atividade atribui uma identidade a quem a exerce: uma mulher não trabalha como prostituta, ela é uma prostituta.
  • Esta é uma marca sem volta, que a acompanha por toda a vida. O descrédito em relação à pessoa que exerce esta atividade é tão amplo que a inabilita para uma aceitação social.

Então,  apesar da história de luta das prostitutas, para reivindicar direitos a elas precisam mostrar a cara. Mas, diante de todo esse panorama, como fazer isso?

O ESTIGMA E SEUS DISCURSOS

Vítima: se a mulher está na prostituição por adversidade do destino, é melhor aceito pela sociedade, que a enxerga como vítima.  Ela passa a ser  aquela que precisa ser “salva”, “resgatada”.

Delinquente, subversiva: se a mulher escolhe a prostituição (opção legítima), ela será vista como subversiva. A prostituição é encarada como possibilidade de exercer liberdade, autonomia e resistência.

  • Subversão Manifesta: ao vender sexo a mulher rompe com o modelo hegemônico (rainha do lar).

  • Subversão Latente: Liberdade sexual e autonomia econômica.

DSC09093Aqui, o que está latente é a liberdade sexual e econômica dessa mulher. A prostituição é um lugar que traz muita liberdade para as mulheres. Não há apenas coisas ruins, explica Isabel, que traz também alguns breves exemplos advindos de sua experiência na Pastoral da Mulher.

VIOLÊNCIA

  • No Imaginário social, meios de comunicação e sociedade em geral: prostituição não é vista como uma atividade mas como uma identidade: a prostituta é vista como má mãe, má pagadora, vadia; mulheres manipuladas, mulheres exploradas e sempre vinculadas à delinquência.
  • No trabalho: marginalização e vulnerabilidades de direitos (violência, insalubridade, “alta produtividade”). Há muita exploração econômica. Em Belo Horizonte, por exemplo, os locais de prostituição não oferecem condições adequadas, não têm a regulamentação, são insalubres etc. Muitas vezes, para cumprir o custo fixo do trabalho, que é o material de trabalho e o aluguel do espaço, a mulher precisa trabalhar demais para pagar isso e, só depois, começar a tirar o dela.
  • No direito: a prostituição no Brasil não é crime, mas também não existe regulamentação de profissão. O pior vem com a perda de direitos humanos e civis pelo simples fato de ser prostituta. Se ela vai reclamar em uma delegacia, muitas vezes escuta: o que você estava fazendo lá?A Lei Maria da Penha é só para violência doméstica. Preconceitos e pânicos morais:  prostituição vista como marginalidade.
  • Social: assédio, culpabilidade em caso de abuso sexual, privação de liberdade e autonomia na vida sexual. Mesmo quando a prostituta não está no seu local de trabalho, ela é assediada como tal. Ela parece ser para os homens aquela mulher sempre disponível, o que prejudica sua autonomia e privacidade sobre a sua vida pessoal.
  • No amor: corpo privado de uma sintonia afetiva; precarização das relações afetivas, inclusive familiares. Observa-se a dificuldade de se relacionar por ter que esconder seu trabalho, por manter uma identidade dupla.
  • No campo psicológico: construção de um estereótipo socioafetivo para justificar a entrada na prostituição. Pensa-se sempre que a mulher veio de família pobre, desregrada, dentre outros fatores que marginalizam aquela pessoa. Mas nem todo mundo que tem dificuldades vai para a prostituição. É preciso entender as opções.
  • Ambivalência do trabalho sexual: sentem vergonha do que fazem, o que as levam a viver uma vida dupla escondendo o que fazem. Elas escolhem o que fazem, mas têm medo de assumir.
  • Autoestigma: identificação com o discurso dominante. Ela passa a se ver com os olhos daquilo que ela ouve sobre ela. Como ela vai exigir um reconhecimento social se ela se vê com esse olhar de discriminação?

“IDENTIDADE INDIVIDUAL E SOCIAL SOMENTE É POSSÍVEL QUANDO HÁ RECONHECIMENTO INTERSUBJETIVO”.
(
AXEL HONNETH)

Isabel destaca que a violação  de direitos se dá em três campos:

  • Integridade física e psicológica: sujeitas a maus tratos, violência banalizada e dita como normal (nas relações sociais e afetivas).
  • Integridade social: privação de direitos, exclusão (relações jurídicas) sem leis que regulamentem seu trabalho.
  • Degradação e ofensamorte social, identificada com o discurso dominante que não a reconhece como ser político e cidadã capaz de reivindicar direitos.

AUTOESTIGMA: O MÁXIMO DA VULNERAÇÃO DE DIREITOS

  • Pré-concepções construídas sobre estereótipos obrigam a prostituta a esconder a atividade que exerce para evitar o preconceito e a discriminação. Exercer uma atividade que não tem valorização social é motivo de sofrimento e humilhação.
  • Estigmatizada, a prostituta não poderá manter uma identidade positiva sobre si mesma, já que se vê com os mesmos olhos de quem a discrimina. A desqualificação social de determinados grupos as coloca como responsáveis pela própria “tragédia” e oculta a raiz social desses conflitos.
Judith Butler

Judith Butler

Para exemplificar o perigo do preconceito e do estigma, Isabel finaliza citando Judith Butler, que ao falar sobre homossexuais citou o caso de um rapaz que foi linchado pelo simples fato de estar andando com um andar feminino. Ela faz a seguinte pergunta: será que é legítimo determinar que uma pessoa não pode existir simplesmente por não concordarmos com a forma de vida que ela escolheu para viver?

Isabel Brandão: psicóloga (graduada em psicologia pela PUC Minas, pós-Graduada em Análise Institucional, Esquizoanálise e Esquizodrama. Trabalha desde 2008 na Pastoral da  Mulher, com atenção individual e grupal para  o nosso público alvo.

Referências:

  1. La reglamentación de la prostituición em el Estado Espanhõl- Gemma Nicolás Laz;
  2. El trabajo sexual em la mira. Polémicas e estereótipos – Dolores Juliano;
  3. Amor, um real por minuto – ThaddeusBlanchetie e Ana Paula da Silva;
  4. Luta por reconhecimento; A Gramática Moral dos Conflitos Sociais – Axel Honneth;
  5. A vueltas com La prostituicón – Holgado Fernández, Isabel;
  6. Profissionais do sexo – uma perspectiva antropológica do estigma da prostituição – Vanessa Petró.

Os movimentos de prostitutas: avanços e impasses

No seminário A Prostituição: uma abordagem desde os Direitos Humanos Letícia Barreto, doutora em Antropologia e estudiosa do tema Prostituição, falou sobre “Os movimentos de prostitutas: avanços e impasses”.

Letícia iniciou o painel da tarde do dia 23 de setembro ressaltando a importância de ouvir as prostitutas. Segundo ela, é muito comum o interesse das pessoas pelo tema, que querem discutir prostituição, ajudar e até se interessam por curiosidade, mas poucas vezes vemos um diálogo efetivo com o movimento que sabe quais são as demandas. A demanda da regulamentação já é antiga, e existem diversas divergências, comenta Letícia.

Movimento de prostitutas no Brasil, Belo Horizonte e partes do mundo
Letícia Barreto

Letícia Barreto

“Apesar do movimento de prostitutas ter um longo processo histórico, no Brasil já com mais de 30 anos, é difícil encontrar documentos que contem essa história. Então, na minha pesquisa, tivemos que reconstruir passos, sendo que nos Estados Unidos já existe uma história mais consolidada.”

Ao falar sobre sua tese intitulada “Somos sujeitas políticas de nossa própria história: prostituição e feminismos em Belo Horizonte, Letícia Barreto explica que  sua pesquisa objetivou analisar a relação entre prostituição e feminismos em Belo Horizonte, a partir de um olhar sobre a emergência das prostitutas como sujeitas políticas e a produção do conhecimento sobre prostituição.

“Os movimentos de prostitutas têm autonomia, mas é restrita em alguns campos, como por exemplo na hora de ajudar a passar um projeto de lei”.

Com o material organizado ao longo de 10 anos de pesquisa, ela foi elaborando uma narrativa histórica sobre o processo de construção dos movimentos de prostitutas em Belo Horizonte em relação ao contexto nacional e internacional.

Capítulos Históricos

O surgimento dos movimentos de prostitutas: período da ditadura e primeiros anos da redemocratização no Brasil.

“O movimento das prostitutas surge exatamente dentro do contexto da ditadura militar. Com os relatórias da comissão da verdade, observa-se que a ditadura não afetava apenas as pessoas que eram contra o regime, mas também as prostitutas, os movimentos gays e diversos outros grupos. Nesse momento, também havia em nível internacional, principalmente nos Estados Unidos, o que chamamos de “As guerras dos sexos feministas”, que não chegaram ao Brasil do mesmo modo como chegaram nos EUA.

Adriana Piscitelli, grande pesquisadora sobre o tema da prostituição, diz que essas guerras do sexo chegaram com 20 anos de atraso ao Brasil. Então, hoje vemos os debates com mais força do que nessa época (até final da década de 80). Essas guerras foram chamadas de pró-sexo e por outro lado de contrassexo ou antissexo. Foi um momento de forte levante conservador. Várias feministas se aliaram a movimentos conservadores para exigir o fim de algumas questões que, para elas, eram consideradas opressivas em relação à sexualidade da mulher, como o caso da prostituição e da pornografia.

Seminário A prostituiçãoIsso virou alvo de ataque dessas feministas, pois se acreditava que a prostituição e a pornografia eram as formas máximas de opressão das mulheres e que elas iriam afetar todas as mulheres.

Do outro lado, temos as feministas pró-sexo, que dizem que existem as questões de opressão dentro da pornografia e da prostituição, mas que essas questões não são intrínsecas à prostituição. Então, não é por ser prostituta que a mulher é violentada, oprimida.

Temos que entender como cada contexto se caracteriza. Por exemplo: uma determinada prostituta pode ser oprimida, pois, como no caso do Brasil, temos uma legislação que criminaliza todo o entorno dela. Isso pode ser uma forma de opressão. Não precisa necessariamente vir por parte de um cliente violento; pode ser a sociedade que não a aceita.

Nessa segunda linha, essas feministas colocam que a prostituição pode sim trazer experiências de autonomia e autodeterminação. Isso gera conflitos, pois muitas as vezes pensam que essas feministas estão falando que toda prostituta é 100% livre e não têm nenhuma forma de opressão. Mas não é isso. Elas falam que é preciso entender cada caso.

Para Letícia Barreto, a prostituição é uma questão de direitos que precisam ser assegurados. Ela continua o contexto histórico falando sobre o feminismo de segunda onda, que não afeta tanto a questão da prostituição, pois as prostitutas foram mais afetadas nesse momento pelo surgimento da AIDS.

“O movimento de prostitutas organizado no Brasil é anterior à AIDS, ao próprio diagnóstico. Apesar disso, quando surge a AIDS, ela se torna foco de intervenção. A partir daí, surgem vários grupos, ONGs, financiamentos e ações focadas nas prostitutas, já que elas eram vistas como grupo de risco. O movimento passa a se organizar muito em torno do debate sobre a AIDS, o que acabou sendo visto como um problema. Até hoje, quando se fala em prostituição se pensa em AIDS. Isso é um grave erro.”

Consolidação dos movimentos de prostitutas  | 1990 – 2002

Ocorre a institucionalização dos movimentos. Se antes tínhamos vários movimentos autônomos, agora estão institucionalizados. Algumas associações se tornam ONGs e crescem os financiamentos. Com isso, ocorrem muitas viagens de prostitutas pelo mundo, como para ir a congressos sobre AIDS. São momentos em que elas vão se encontrar para conversar. Então, os encontros de prostitutas começam a acontecer por esses motivos.

Movimentos de prostitutas e autonomia | 2013-2015

Nesse período, os movimentos de prostitutas, assim como outros movimentos feministas, vão se tornar cada vez mais transnacionais. Não temos mais tão claramente aquele movimento fechado no Brasil. Vamos ter a Rede Global de Trabalhadoras do Sexo, a Rede latino-americana e várias outras redes que vão se fortalecendo. Esse fluxo fica cada vez maior, e muitas vezes em virtude desses financiamentos ligados a DST e AIDS.

Pontos analisados:

1- Tráfico de pessoas e relação com grandes eventos: a partir da década de 2000, o discurso sobre a prostituição ganha força com o tema tráfico de mulheres. Constantemente se associa prostituição a tráfico de mulheres. Essa é uma questão complicada. Primeiro porque as prostitutas são vistas, a priori, como traficadas; e isso vai impedir que elas migrem e que tenham acesso a diversos direitos. Alguns autores chamam isso de “danos colaterais” nessas redes de resgate ao tráfico de pessoas. Então, muitas vezes, a prostituta que está migrando, acessando redes familiares ou de amigos para conseguir esse processo migratório, vai ser vista como uma traficada. No caso brasileiro, isso é fortalecido pelo fato de que na legislação do Brasil o tráfico de pessoas é visto como tráfico para prostituição. Além de ter efeitos muito negativos para as prostitutas, tem efeito negativo também para outras pessoas traficadas.

Letícia fala de sua passagem trabalhando no Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Minas Gerais e comenta que chamou a sua atenção o fato de ter muito mais casos ligados a trabalho escravo. E esses casos aconteciam com a exploração dentro do próprio Brasil. E apesar disso, os financiamentos e as ações de diversos grupos são muito voltados para as mulheres que estão migrando para o exterior a fim de se prostituir. Então, temos a invisibilidade de um contexto que está acontecendo e um olhar sobre um contexto que ocorre sim, mas nem sempre acontece do modo como é colocado.

Em 2004, o Brasil ratifica o Protocolo de Palermo, que vai redefinir um pouco o conceito de tráfico de pessoas, mas o protocolo não foi transformado em lei no Brasil. Então, para legislação, segue sendo tráfico de pessoas o tráfico para fins de prostituição.

Outra questão que ganhou muito destaque foi a Copa do Mundo e as Olimpíadas 2016. Além do contexto internacional, muitos olhares se voltam para o Brasil e sobre o que poderia acontecer na Copa do Mundo, especialmente com nossas mulheres e meninas. E novamente a questão é focada nessas pessoas que são vistas como mais afetadas pelo tráfico de pessoas. E durante a Copa, no tempo em que estive no programa de enfrentamento,  não tivemos nenhum caso de tráfico de pessoas que a gente tenha acessado, No Brasil tivemos grandes movimentos de preparação da polícia para identificar esses casos, mas na verdade o que vimos foram casos de tráfico de pessoas e exploração laboral dentro da construção dos estádios, por exemplo. Os crimes que tivemos foram muito mais ligados a venda de ingressos, roubo, estupro e outros tipos de violência.

Com relação a esse tráfico de pessoas, conseguimos perceber que o próprio movimento de prostitutas ao estar mais organizado começa a ter uma atuação mais clara nesses contextos. Se antes tínhamos esse imaginário, começamos a ver vários aliados e os próprios movimentos produzindo dados e não apenas aceitando essas políticas e esse discurso alarmante. Quando se fala em tráfico de pessoas vemos números muito altos, e na verdade, não se tem comprovação de muitos deles.

AIDS e Saúde

As mulheres prostitutas sempre foram colocadas como questão de saúde, mas especificamente de saúde sexual. Nem se fala de direitos reprodutivos, mas de DST e AIDS. Isso é um problema sério, pois existem diversas outras questões importantes, como os direitos trabalhistas. Com a AIDS definida como questão prioritária, os debates acabam sendo esvaziados. Nesse período (2013-2015) , os movimentos vão se tornando cada vez mais autônomos nesse debate.

Jornais "Na Vida" - produzido pelo GAPA/MG - Fonte: http://www.severidade.com.br/prostituicao/#bf24

Jornais “Na Vida” – produzido pelo GAPA/MG – Fonte: http://www.severidade.com.br/prostituicao/#bf24

Em 2011, a Rede Brasileira de Prostitutas, que é um dos movimentos mais organizados que temos em nível nacional, vão definir que não vão mais mais aceitar financiamentos para questões de AIDS. Claro que existem ainda muitas parcerias, inclusive em Belo Horizonte, mas essa postura diz que elas não querem mais ser vistas apenas como possíveis portadoras de HIV e AIDS. Elas querem ser vistas como trabalhadoras, pessoas que têm direitos.

Levantamento dos projetos de Lei

Em um levantamento apresentado pelos deputados desde 1975, observa-se uma mudança. Se antes os projetos não dialogavam diretamente com as prostitutas, passamos a ver projetos que dialogam, tais como o projeto do Fernando Gabeira e do deputado Jean Wyllys.  Os dois projetos foram construídos em parceria com movimentos de prostitutas, o que gera um grande avanço. Isso muda a forma como se fala da prostituição e se propõe o que deve ser mudado. Apesar disso, esses projetos acabam sendo vistos ainda como se não representassem as prostitutas. E, claro, existem algumas prostitutas que são contra alguns pontos específicos do do recente projeto do Jean Wyllys, por exemplo,  mas o este foi construído em parceria com o movimento.

Letícia fala sobre a importância de legitimar a voz que vem do movimento, falando sobre o que querem e pretendem para que se possa discutir a partir daí.

Outro ponto que tem relação com o legislativo, é a candidatura de algumas prostitutas que também faz parte desse processo de maior autonomia. Não vão apenas escolher um deputado para apresentar um projeto por elas, mas também querem defender as próprias pautas.

Quer saber mais sobre os movimentos de prostitutas? Acesse: http://www.severidade.com.br/prostituicao/

No próximo post, saiba mais sobre Violação de direitos humanos e 
estigma na prostituição feminina, por Isabel Brandão.

O cinema e suas diversas abordagens sobre prostituição #1

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O CÉU DE SUELY

Hermila (Hermila Guedes) é uma jovem de 21 anos que está de volta à sua cidade-natal, a pequena Iguatu, localizada no interior do Ceará. Ela volta juntamente com seu filho, Mateuzinho, e aguarda para daqui a algumas semanas a chegada de Mateus, pai da criança, que ficou em São Paulo para acertar assuntos pendentes. Porém, o tempo passa e Mateus simplesmente desaparece. Querendo deixar o lugar de qualquer forma, Hermila tem uma ideia inusitada: rifar seu próprio corpo para conseguir dinheiro suficiente para comprar passagens de ônibus para longe e iniciar nova vida. (Sinopse adoro cinema)

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CONFISSÕES DE UMA GAROTA DE PROGRAMA

Chelsea (Sasha Grey) é uma garota de programa de luxo de Manhattan, que oferece mais que uma relação sexual. Por uma alta quantia ela oferece uma relação completa, como se fosse uma “namorada de aluguel”. Chris (Chris Santos), seu verdadeiro namorado, convive bem com a situação e divide um apartamento com ela. Em outubro de 2008, os Estados Unidos entram em uma grave crise financeira, o que faz com que Chelsea busque com seus clientes opiniões sobre a melhor forma de proteger seu dinheiro. Paralelamente, Chris começa a crescer profissionalmente, afastando-se da namorada. É neste contexto que Chelsea conhece Phillip (Phillip Eytan), um cliente novo que passa a ouvi-la desabafar sobre sua carreira. (Sinopse adoro cinema)

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A GLÓRIA DAS PROSTITUTAS

3 países, 3 línguas, 3 contextos diferentes. Em seu documentário, o cineasta Michael Glawogger retrata prostitutas na Tailândia, Bangladesh e México, e prova que a prostituição não é igual em qualquer lugar do mundo, por mais que tudo se resuma a sexo e uma visão machista de mundo. Na Tailândia mostra o “aquário” onde as garotas ficam expostas até serem escolhidas pelos senhores engravatados, isso claro,  depois de baterem cartão, ao chegar ao trabalho. Em Bangladesh mostra mulheres vivendo na imundice sob responsabilidade de cafetinas, numa bagunça onde conseguem clientes entre empurrões. No México, numa rua cheia de casinhas de um quarto, as portas dão direto para a rua e os carros apenas estacionam na porta das “escolhidas”.

Diferentes formas de atrair clientes: aproximando-se dessas mulheres, descobrimos fortes ligações religiosas (sejam quais forem as religiões); ingenuidade oriental à depravação latina de quem vive do crack e do vício. Essa é a prostituição que move o mundo, mulheres que fazem o que esposas e namoradas não fazem, vivendo da marginalidade profissional em submundos nojentos. Glawogger não traz novidades, mas expôs comparações de mundos idênticos em comportamentos antagônicos.

(sinopse da Toca do Cinéfilo)

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PRINCESAS

Cayetana (Candela Peña) vem de uma família de classe média espanhola que ignora a sua vida de prostituta. Ela e outras profissionais do sexo passam o tempo em um salão de cabeleireiro, reclamando das colegas imigrantes que cobram barato e roubam seus clientes. Uma dessas imigrantes é Zulema (Micaela Nevárez), dominicana que usa o dinheiro ganho nas ruas para sustentar o filho, que continua em sua terra natal. Um dia, Cayetana encontra Zulema espancada e a leva ao hospital. No caminho, descobrem que ambas idealizam um improvável amor e são isoladas de suas famílias. (Sinopse adoro cinema)