Os movimentos de prostitutas: avanços e impasses

No seminário A Prostituição: uma abordagem desde os Direitos Humanos Letícia Barreto, doutora em Antropologia e estudiosa do tema Prostituição, falou sobre “Os movimentos de prostitutas: avanços e impasses”.

Letícia iniciou o painel da tarde do dia 23 de setembro ressaltando a importância de ouvir as prostitutas. Segundo ela, é muito comum o interesse das pessoas pelo tema, que querem discutir prostituição, ajudar e até se interessam por curiosidade, mas poucas vezes vemos um diálogo efetivo com o movimento que sabe quais são as demandas. A demanda da regulamentação já é antiga, e existem diversas divergências, comenta Letícia.

Movimento de prostitutas no Brasil, Belo Horizonte e partes do mundo
Letícia Barreto

Letícia Barreto

“Apesar do movimento de prostitutas ter um longo processo histórico, no Brasil já com mais de 30 anos, é difícil encontrar documentos que contem essa história. Então, na minha pesquisa, tivemos que reconstruir passos, sendo que nos Estados Unidos já existe uma história mais consolidada.”

Ao falar sobre sua tese intitulada “Somos sujeitas políticas de nossa própria história: prostituição e feminismos em Belo Horizonte, Letícia Barreto explica que  sua pesquisa objetivou analisar a relação entre prostituição e feminismos em Belo Horizonte, a partir de um olhar sobre a emergência das prostitutas como sujeitas políticas e a produção do conhecimento sobre prostituição.

“Os movimentos de prostitutas têm autonomia, mas é restrita em alguns campos, como por exemplo na hora de ajudar a passar um projeto de lei”.

Com o material organizado ao longo de 10 anos de pesquisa, ela foi elaborando uma narrativa histórica sobre o processo de construção dos movimentos de prostitutas em Belo Horizonte em relação ao contexto nacional e internacional.

Capítulos Históricos

O surgimento dos movimentos de prostitutas: período da ditadura e primeiros anos da redemocratização no Brasil.

“O movimento das prostitutas surge exatamente dentro do contexto da ditadura militar. Com os relatórias da comissão da verdade, observa-se que a ditadura não afetava apenas as pessoas que eram contra o regime, mas também as prostitutas, os movimentos gays e diversos outros grupos. Nesse momento, também havia em nível internacional, principalmente nos Estados Unidos, o que chamamos de “As guerras dos sexos feministas”, que não chegaram ao Brasil do mesmo modo como chegaram nos EUA.

Adriana Piscitelli, grande pesquisadora sobre o tema da prostituição, diz que essas guerras do sexo chegaram com 20 anos de atraso ao Brasil. Então, hoje vemos os debates com mais força do que nessa época (até final da década de 80). Essas guerras foram chamadas de pró-sexo e por outro lado de contrassexo ou antissexo. Foi um momento de forte levante conservador. Várias feministas se aliaram a movimentos conservadores para exigir o fim de algumas questões que, para elas, eram consideradas opressivas em relação à sexualidade da mulher, como o caso da prostituição e da pornografia.

Seminário A prostituiçãoIsso virou alvo de ataque dessas feministas, pois se acreditava que a prostituição e a pornografia eram as formas máximas de opressão das mulheres e que elas iriam afetar todas as mulheres.

Do outro lado, temos as feministas pró-sexo, que dizem que existem as questões de opressão dentro da pornografia e da prostituição, mas que essas questões não são intrínsecas à prostituição. Então, não é por ser prostituta que a mulher é violentada, oprimida.

Temos que entender como cada contexto se caracteriza. Por exemplo: uma determinada prostituta pode ser oprimida, pois, como no caso do Brasil, temos uma legislação que criminaliza todo o entorno dela. Isso pode ser uma forma de opressão. Não precisa necessariamente vir por parte de um cliente violento; pode ser a sociedade que não a aceita.

Nessa segunda linha, essas feministas colocam que a prostituição pode sim trazer experiências de autonomia e autodeterminação. Isso gera conflitos, pois muitas as vezes pensam que essas feministas estão falando que toda prostituta é 100% livre e não têm nenhuma forma de opressão. Mas não é isso. Elas falam que é preciso entender cada caso.

Para Letícia Barreto, a prostituição é uma questão de direitos que precisam ser assegurados. Ela continua o contexto histórico falando sobre o feminismo de segunda onda, que não afeta tanto a questão da prostituição, pois as prostitutas foram mais afetadas nesse momento pelo surgimento da AIDS.

“O movimento de prostitutas organizado no Brasil é anterior à AIDS, ao próprio diagnóstico. Apesar disso, quando surge a AIDS, ela se torna foco de intervenção. A partir daí, surgem vários grupos, ONGs, financiamentos e ações focadas nas prostitutas, já que elas eram vistas como grupo de risco. O movimento passa a se organizar muito em torno do debate sobre a AIDS, o que acabou sendo visto como um problema. Até hoje, quando se fala em prostituição se pensa em AIDS. Isso é um grave erro.”

Consolidação dos movimentos de prostitutas  | 1990 – 2002

Ocorre a institucionalização dos movimentos. Se antes tínhamos vários movimentos autônomos, agora estão institucionalizados. Algumas associações se tornam ONGs e crescem os financiamentos. Com isso, ocorrem muitas viagens de prostitutas pelo mundo, como para ir a congressos sobre AIDS. São momentos em que elas vão se encontrar para conversar. Então, os encontros de prostitutas começam a acontecer por esses motivos.

Movimentos de prostitutas e autonomia | 2013-2015

Nesse período, os movimentos de prostitutas, assim como outros movimentos feministas, vão se tornar cada vez mais transnacionais. Não temos mais tão claramente aquele movimento fechado no Brasil. Vamos ter a Rede Global de Trabalhadoras do Sexo, a Rede latino-americana e várias outras redes que vão se fortalecendo. Esse fluxo fica cada vez maior, e muitas vezes em virtude desses financiamentos ligados a DST e AIDS.

Pontos analisados:

1- Tráfico de pessoas e relação com grandes eventos: a partir da década de 2000, o discurso sobre a prostituição ganha força com o tema tráfico de mulheres. Constantemente se associa prostituição a tráfico de mulheres. Essa é uma questão complicada. Primeiro porque as prostitutas são vistas, a priori, como traficadas; e isso vai impedir que elas migrem e que tenham acesso a diversos direitos. Alguns autores chamam isso de “danos colaterais” nessas redes de resgate ao tráfico de pessoas. Então, muitas vezes, a prostituta que está migrando, acessando redes familiares ou de amigos para conseguir esse processo migratório, vai ser vista como uma traficada. No caso brasileiro, isso é fortalecido pelo fato de que na legislação do Brasil o tráfico de pessoas é visto como tráfico para prostituição. Além de ter efeitos muito negativos para as prostitutas, tem efeito negativo também para outras pessoas traficadas.

Letícia fala de sua passagem trabalhando no Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Minas Gerais e comenta que chamou a sua atenção o fato de ter muito mais casos ligados a trabalho escravo. E esses casos aconteciam com a exploração dentro do próprio Brasil. E apesar disso, os financiamentos e as ações de diversos grupos são muito voltados para as mulheres que estão migrando para o exterior a fim de se prostituir. Então, temos a invisibilidade de um contexto que está acontecendo e um olhar sobre um contexto que ocorre sim, mas nem sempre acontece do modo como é colocado.

Em 2004, o Brasil ratifica o Protocolo de Palermo, que vai redefinir um pouco o conceito de tráfico de pessoas, mas o protocolo não foi transformado em lei no Brasil. Então, para legislação, segue sendo tráfico de pessoas o tráfico para fins de prostituição.

Outra questão que ganhou muito destaque foi a Copa do Mundo e as Olimpíadas 2016. Além do contexto internacional, muitos olhares se voltam para o Brasil e sobre o que poderia acontecer na Copa do Mundo, especialmente com nossas mulheres e meninas. E novamente a questão é focada nessas pessoas que são vistas como mais afetadas pelo tráfico de pessoas. E durante a Copa, no tempo em que estive no programa de enfrentamento,  não tivemos nenhum caso de tráfico de pessoas que a gente tenha acessado, No Brasil tivemos grandes movimentos de preparação da polícia para identificar esses casos, mas na verdade o que vimos foram casos de tráfico de pessoas e exploração laboral dentro da construção dos estádios, por exemplo. Os crimes que tivemos foram muito mais ligados a venda de ingressos, roubo, estupro e outros tipos de violência.

Com relação a esse tráfico de pessoas, conseguimos perceber que o próprio movimento de prostitutas ao estar mais organizado começa a ter uma atuação mais clara nesses contextos. Se antes tínhamos esse imaginário, começamos a ver vários aliados e os próprios movimentos produzindo dados e não apenas aceitando essas políticas e esse discurso alarmante. Quando se fala em tráfico de pessoas vemos números muito altos, e na verdade, não se tem comprovação de muitos deles.

AIDS e Saúde

As mulheres prostitutas sempre foram colocadas como questão de saúde, mas especificamente de saúde sexual. Nem se fala de direitos reprodutivos, mas de DST e AIDS. Isso é um problema sério, pois existem diversas outras questões importantes, como os direitos trabalhistas. Com a AIDS definida como questão prioritária, os debates acabam sendo esvaziados. Nesse período (2013-2015) , os movimentos vão se tornando cada vez mais autônomos nesse debate.

Jornais "Na Vida" - produzido pelo GAPA/MG - Fonte: http://www.severidade.com.br/prostituicao/#bf24

Jornais “Na Vida” – produzido pelo GAPA/MG – Fonte: http://www.severidade.com.br/prostituicao/#bf24

Em 2011, a Rede Brasileira de Prostitutas, que é um dos movimentos mais organizados que temos em nível nacional, vão definir que não vão mais mais aceitar financiamentos para questões de AIDS. Claro que existem ainda muitas parcerias, inclusive em Belo Horizonte, mas essa postura diz que elas não querem mais ser vistas apenas como possíveis portadoras de HIV e AIDS. Elas querem ser vistas como trabalhadoras, pessoas que têm direitos.

Levantamento dos projetos de Lei

Em um levantamento apresentado pelos deputados desde 1975, observa-se uma mudança. Se antes os projetos não dialogavam diretamente com as prostitutas, passamos a ver projetos que dialogam, tais como o projeto do Fernando Gabeira e do deputado Jean Wyllys.  Os dois projetos foram construídos em parceria com movimentos de prostitutas, o que gera um grande avanço. Isso muda a forma como se fala da prostituição e se propõe o que deve ser mudado. Apesar disso, esses projetos acabam sendo vistos ainda como se não representassem as prostitutas. E, claro, existem algumas prostitutas que são contra alguns pontos específicos do do recente projeto do Jean Wyllys, por exemplo,  mas o este foi construído em parceria com o movimento.

Letícia fala sobre a importância de legitimar a voz que vem do movimento, falando sobre o que querem e pretendem para que se possa discutir a partir daí.

Outro ponto que tem relação com o legislativo, é a candidatura de algumas prostitutas que também faz parte desse processo de maior autonomia. Não vão apenas escolher um deputado para apresentar um projeto por elas, mas também querem defender as próprias pautas.

Quer saber mais sobre os movimentos de prostitutas? Acesse: http://www.severidade.com.br/prostituicao/

No próximo post, saiba mais sobre Violação de direitos humanos e 
estigma na prostituição feminina, por Isabel Brandão.
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PROSTITUIÇÃO, REGULAMENTAÇÃO E DIREITOS

Após uma ampla abordagem sobre os direitos humanos na abertura do seminário A prostituição: uma abordagem desde os direitos humanos, realizado no dia 23 de setembro na Escola de Direito Dom Helder Câmara,  Rudá Ricci (sociólogo e cientista político) levanta a questão da importância do diálogo sobre as questões da prostituição, ressaltando que é preciso diferenciar quando uma pessoa é jogada na situação e quando ela adota isso como profissão. “Assumimos uma postura pudica e não abrimos o debate”, diz ele.

Seminário A Prostituição: uma abordagem desde os Direitos Humanos

Segundo Rudá, é preciso repensar a  prostituição. Caso seja regulamentada, poderia ser explorada por uma empresa ou organização coletiva ou não?

Rufianismo, prostituição, regulamentação e debate
Rudá Ricci

Rudá Ricci

“Se a gente acata como uma profissão, a prostituta pode ter um MEI, pode ser microempresária individual. E aí, onde está o rufião? Acabou. Temos que fazer uma discussão séria, e não uma discussão por um lado. Não levamos a sério que isso pode ser um negócio.

A questão que precede isso é: é um direito? E sobre prostituição feminina e masculina, o que é pior? Não se entra em debate. Até mesmo as lideranças das prostitutas não estão discutindo pra valer esse caso. Não se abre a caixa preta.

A sociedade é exageradamente hipócrita. Temos que abrir uma discussão pra valer. Se a gente definir que se prostituir é um direito, que é um trabalho profissional, a questão seguinte é: isso é liberdade? Então, é uma questão de regulamentação do trabalho, de saúde pública. Os hospitais, os médicos vão ter que ir até a Guaicurus. Vamos ter serviços médicos e de educação. Elas têm uma jornada exaustiva? Então terão que dar apoio à família delas. Vai ter que ter creches para os filhos delas e as escolas vão ter que aprender que a mãe daquele menino é prostituta e vai ter que ser respeitada, se a gente considerar como um direito.

Com a regulamentação, o rufião será extinto, pois prostituição passa  ser um direito de trabalho, individual, e não uma exploração coletiva. Ela vai ter direito até mesmo a acessar recursos do Banco do Brasil. Se ela quiser, ela pode construir o lugar dela. Claro que os hotéis vão ter que ter um rigor imenso pra ter segurança, higiene. Vamos ter batidas, inclusive para saber o que está acontecendo, se tem uso de drogas ou não. Direito é direito; estamos dentro do Estado. Aí vem a política pública.

A questão que precede isso e que estamos colocando é: nós achamos que isso é um direito? Não só prostituição da mulher, mas também do homem que quer se prostituir. Isso é um direito? Ou não? Isso é uma exploração? É uma humilhação de um sobre o outro, que em situação desfavorável acaba sendo usado e concedendo o uso?

Se é direito, o Estado tem que entrar com tudo. Aí entramos nós também. Passa a ser uma questão moral da sociedade. E sendo moral, nós vamos ser obrigados, como pais, a reeducar os nosso filhos para eles compreenderem em pouco menos de uma geração que: aquele menino que a mãe é prostituta é um menino igual a ele. Ela trabalha do mesmo jeito. Não tem mais papo. Nada de ficar olhando de lado. Ponto.” (Rudá Ricci)

Sobre a regulamentação da atuação da profissional do sexo, o professor João Batista (Doutor em Direito Público) reforça que essa não é uma discussão para a Câmara dos Deputados , para a prefeitura ou outras instituições. Essa é uma discussão que passa primeiro pela organização das mulheres que estão vivendo a prostituição, pois são elas que vivenciam a discriminação e o estigma. Para ele, não há como fazer uma imposição.

Professor João Batista Pinto

Professor João Batista Pinto

“O primeiro problema é que há divergências sobre a questão de regulamentar ou não regulamentar a prostituição. Mesmo as prostitutas não têm consenso sobre isso.

Unanimidade não vamos ter nunca. Isso significa que vai ser uma decisão política. Em determinado momento, essas organizações vão ter que assumir qual é a sua posição majoritária, pois, se for esperar unanimidade, não vai acontecer em momento algum,

São as mulheres que vivenciam a prostituição que devem decidir se querem ter na carteira a apresentação de Prostituta. Ela terá de pensar :em que isso vai implicar? Vou ter que assumir? 

Talvez seja algo próximo do que as empregadas domésticas vivenciaram há pouco tempo atrás: coloco ou não que eu sou uma empregada doméstica? Isso é uma desvalorização? Parece a mesma situação, na qual há uma discussão política, a partir de uma certa realidade, e que deve ser feita pelas próprias pessoas que vivenciam esta realidade. Depois do primeiro passo vêm os apoios que poderão ajudar nessa disputa, pois entra uma outra disputa com a sociedade. A sociedade vai aceitar que isso seja um direito? Mas, as organizações tendo a decisão, também terão claro pelo que vão lutar. Aí se abririam mais possibilidade de expressar melhor essa realidade.

Anjos do Sol encerra a programação do Cine-Diálogos

O Cine-Diálogos, evento que faz parte do Projeto Diálogos pela Liberdade, teve seu encerramento hoje, 5 de setembro, com a exibição do filme Anjos do Sol. O longa-metragem foi o centro das atenções do debate proferido por Flávia Gotelip – Coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de MG e pelo professor João Batista Moreira Pinto, da Escola de Direito Dom Helder Câmara (Direitos Humanos e Cidadania).

Anjos do Sol conta a história de Maria (Fernanda Carvalho), uma jovem de 12 anos, que mora no interior do nordeste brasileiro. No verão de 2002 ela é vendida por sua família a um recrutador de prostitutas. Após ser comprada em um leilão de meninas virgens, Maria é enviada a um prostíbulo localizado perto de um garimpo, na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, ela consegue fugir e passa a cruzar o Brasil através de viagens de caminhão. Mas ao chegar no Rio de Janeiro a prostituição volta a cruzar seu caminho. (sinopse by adorocinema)

O prof. João Batista  falou sobre as desigualdades e as formas de poder utilizados para sustentar teias de exploração. Segundo ele, Anjos do sol fala das diferentes formas de controle e da restrição de formas de resistência.

“A realidade de exploração contra as crianças marca muito, pois o caminhar delas parece sem rumo e sem perspectiva após tanta violência. É preciso organizar uma resistência. Os poderes precisam ser articulados para essa transformação”, ressaltou.

Flávia Gotelip iniciou sua fala comentando o filme e apresentou alguns dados. “Anjos do sol retrata uma realidade que é do nosso cotidiano. O projeto MAPEAR mapeou pontos vulneráveis de exploração sexual da criança e adolescente nas rodovias federais do país, e Minas está no ranking com 252 pontos.”

“Se uma pessoa não conhece as formas de migrar com direitos, está em situação de vulnerabilidade por falta de informação. A rede do tráfico de pessoas usa disso para um fim, a exploração. O filme Anjos do Sol mostra a presença do aliciador e da venda de uma menina por sua família, mas para investigação e enquadramento no crime de tráfico, o que importa é o fim, e não o meio.”

“Lidar com o tráfico de pessoas e trajetórias de violações exige muito cuidado. A agenda contra o tráfico de pessoas não pode se sobrepor a outras agendas de lutas. O debate desse tema vem para somar forças ao enfrentamento de vulnerabilidades que sustentam esse crime, como no caso da exploração sexual de menores.”

O público presente enfatizou a prevenção em suas perguntas e deixou a seguinte questão para discussão: como efetivar uma prevenção ao fenômeno do tráfico de pessoas com medidas de proteção reais?

Flávia fez uma análise realista sobre o que tem sido feito atualmente enquanto gestão pública e ressaltou que “enquanto houver desigualdade social, fica difícil falar em eficácia de políticas públicas que vêm minimizar consequências.”

“É preciso discutir a homogeneização da nossa legislação com o protocolo de Palermo. E precisamos nos organizar para instrumentalizar nosso trabalho. Em dezembro teremos um seminário, em formato de conferência, para construir o Plano Mineiro de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.”

Mensagem de Flávia Gotelip

Para fechar o debate, o prof. João Batista faz uma provocação: “Dignidade para todos significa também abrir mão de poderes pré-estabelecidos.” E fecha com a reflexão de que a luta contra o tráfico é feita por uma minoria, assim como a solidariedade.

Da organização

Para o Coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, José Manuel Uriol, “o evento superou todas as expectativas e a participação foi muito grande, tanto por parte de estudantes, professores, pesquisadores; e conseguimos ter um nível de debate sobre a problemática bastante interessante, abordando diferentes causas do Tráfico de Seres Humanos. Também chegamos a analisar criticamente as políticas de enfrentamento e sem dúvida, conseguimos chegar a sensibilizar e conscientizar a muitas pessoas que não tinham um conhecimento exato dessa problemática”.

A Pastoral da Mulher de Belo Horizonte, em nome do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, agradece ao UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Mercosul, à OAB – Ordem dos Advogados do Brasil/Minas Gerais e à Escola Superior de Direito Dom Helder Câmara pelo apoio e parceria na realização dos eventos do “Projeto Diálogos pela Liberdade”, que continua a desenvolver formações nas escolas e universidades. O projeto segue com o tema do tráfico de pessoas e também trabalhando as questões de gênero e prostituição. Agradece também a todos os professores, estudantes, pesquisadores e sociedade em geral pela participação e por terem engrandecido o evento.

Confira no link https://www.youtube.com/watch?v=OICTVPYwNCE&feature=youtu.be as palavras de José Manuel, coordenador da Pastoral da Mulher de Belo Horizonte.

Diálogos na Dom Helder Câmara inaugura exposição Meninas do Brasil

A exposição “Meninas do Brasil” foi inaugurada nesta quarta-feira (3) na Escola Superior Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte. Sensibilidade, reflexão e espaço para o diálogo descrevem a palestra de abertura do artista Geraldo Lacerdine, que expressou por meio de suas telas as histórias de vidas de mulheres silenciadas pelo abandono ou pela exclusão social.

“Com a mesma sensibilidade e energia apresentadas nas pinturas, Lacerdine ‘quebrou o protocolo’ e transformou a solenidade de abertura em um grande e divertido ‘diálogo’. A leveza, no entanto, não ofuscou a gravidade e importância dos assuntos em debate: ‘a busca do humano quando não há perspectivas de horizonte’, título da palestra de Lacerdine; e o tráfico de pessoas, tema geral do evento ‘Diálogos pela Liberdade’.” (Redação Dom Total)

A solenidade de abertura contou ainda com a participação do professor Francisco Haas, pró-reitor de extensão da Escola e mediador dos debates; Ana Cláudia Alexandre, defensora Pública da DPE/MG; Olga Colipe, Superiora Provincial das Irmãs Oblatas de Belo Horizonte; Jose Manuel Lazaro Uriol, coordenador da Pastoral da Mulher; e Durval Ângelo, presidente da comissão de direitos humanos ALMG. O professor Francisco Haas destacou a honra de receber os eventos e completou: “as mulheres são as principais vítimas ligadas às violações dos Direitos Humanos”, e acredito que essa iniciativa contribui para que elas tenham seus direitos preservados”.

Durval Ângelo citou o crescimento de casos ligados ao tráfico de pessoas em regiões de cultivo de café no sul de Minas Gerais. “Antes, essas denúncias se concentravam nas lavouras de cana-de-açúcar e regiões mais pobres do Estado.  Agora estão se espalhando. A construção civil também tem apresentando muitos casos de violações”, apontou. (Redação Dom Total)

Fotos: AssCom Oblatas

Cine-Diálogos em Belo Horizonte contará com a presença do cineasta Joel Zito

Joel Zito - Cinderalas

O cineasta Joel Zito Araújo, diretor e roteirista do filme Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado (2010) é presença confirmada no Cine-Diálogos que acontecerá em Belo Horizonte, na Escola de Direito Dom Helder Câmara. Esse premiado pesquisador mineiro, ou baianeiro (como prefere se denominar, por ter nascido em Nanuque, na fronteira entre os estados de Minas Gerais e Bahia), é autor de uma filmografia que retrata a questão das africanidades no Brasil, tendo sido consagrado com um dos prêmios de maior importância do cinema brasileiro com a obra cinematográfica “A Negação do Brasil” (2001); seu filme “É Tudo Verdade/It’s all true” recebeu prêmio de melhor filme no Festival Internacional de Documentários e de melhor roteiro no Festival de Recife em 2001; “As Filhas do Vento” (2005) recebeu 8 kikitos no Festival de Gramado e melhor filme pelo júri popular da Mostra de Cinema de Tiradentes de 2005; e o documentário Cinderelas, lobos e um príncipe encantado (2009) recebeu, por meio de júri popular, os prêmios de melhor filme e melhor diretor na 9ª edição do Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe.

No dia 04 de Setembro de 2014, Joel Zito comporá a mesa de debate junto com Beth Campos, do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes em Minas; Betinho Duarte, do Comitê Coração Azul de Minas Gerais; Fernanda Lins e Ana Paula Silva, representantes da Pastoral da Mulher de Juazeiro-BA; e Laura Maria, Presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais-APROSMIG.

O evento Cine-Diálogos visa fomentar a área de conhecimento sobre direitos humanos e violência de gênero inserido no contexto do Tráfico de Pessoas, sensibilizar a população contra a violência e tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, adentrando na temática do turismo sexual e prostituição no Brasil. O evento vai abrir espaço para debates que vão dar o que falar, apresentará temas polêmicos e a necessidade de troca de informações a respeito de crimes ainda chamados de “invisíveis”, mas que que assolam a humanidade e exploram a vulnerabilidade socioeconômica de pessoas que acreditam no sonho de uma vida melhor.

Clique aqui e confira a programação completa do Cine-Diálogos e faça sua inscrição.

Release e materiais de divulgação Diálogos pela Liberdade

RELEASE: Press release Diálogos pela Liberdade

CARTAZ CONGRESSO: cartaz congresso

CARTAZ CINE-DIÁLOGOS: Cartaz Cine-diálogos Setembro

CARTAZ EXPOSIÇÃO: Cartaz Exposição

ADESIVOS: Adesivo Diálogos  |  adesivo diálogos 2

APRESENTAÇÃO: Apresentação – Conteúdo Diálogos pela Liberdade

CARTILHA: Cartilha Fique de olho – Diálogos

PASTORAL DA MULHER DE BH PRODUZ DOCUMENTÁRIO SOBRE PROSTITUIÇÃO, TRÁFICO DE MULHERES E EXPLORAÇÃO SEXUAL

A Pastoral da Mulher de Belo Horizonte está produzindo um vídeo-documentário sobre a problemática da prostituição e  sua influência na vida de mulheres atendidas pela instituição, bem como sua relação com a exploração sexual. O objetivo é trazer à tona o tema tráfico de mulheres e abordar a vulnerabilidade social, cultural e econômica como fator influenciador no desenvolvimento das formas de exploração, abordando também as possibilidades de enfrentamento e sensibilização. Por meio das histórias de vida das entrevistadas, que estão (ou já estiveram) no exercício da prostituição, busca-se revelar o outro lado além de estereótipos, preconceitos e julgamentos, as saídas encontradas e o reflexo da prostituição em suas vidas.
Vedete

A Foka Vídeos é a responsável pelas gravações que seguem um roteiro pautado na presença humana e na leitura sensível das entrelinhas das histórias dessas personagens da vida real. O documentário apresenta mulheres que têm em comum suas histórias de superação e conquistas ao assumirem o protagonismo da própria vida. Célia, Lucimara, Adriana, Miriam, Vanusa, Sueli, Márcia e Kátia são, antes e sobretudo, mulheres, mães, cidadãs e sonhadoras que encontraram na prostituição uma “solução rápida para apenas alguns dos seus problemas, já que outros se agravaram a partir daí”.

“Personagens reais falam de filhos, amores, trabalho, dinheiro, tráfico de mulheres, enfim, falam delas. Histórias comoventes de verdadeiras lições de vida dadas pela própria vida, como a história de Kátia, soropositivo que encontrou “a verdadeira felicidade depois que teve uma filha que nasceu sem o vírus”. Segundo Kátia, a vida resolveu dar uma última oportunidade que ela agarrou com unhas e dentes. Em outras perspectivas, uma vedete que fez sucesso no teatro Revista carioca na década de 70; uma mulher sem identidade ou qualquer referência do seu passado; um crime esclarecido; abusos e aliciamento são apenas alguns dos casos que essas mulheres têm para contar”, comenta o diretor do documentário, Nelio Souto.

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A estreia do filme intitulado “O QUE A VIDA FEZ DA GENTE E O QUE A GENTE FEZ DA VIDA” está prevista para Setembro e se agrega à programação do “Congresso Internacional Tráfico de Mulheres e Exploração Sexual“, que acontecerá no auditório da OAB/MG, e do Cine-Diálogos Direitos Humanos e Violência de Gênero, que ocorrerá na Escola Superior de Direito Dom Helder Câmara.

Perfil das entrevistadas

Mulheres em situação de prostituição (em atividade ou não)  do hipercentro de Belo Horizonte.

Foco: sensibilizar quanto à vulnerabilidade social, cultural, e econômica, psicológica e até mesmo familiar/afetiva e suas influências nas formas de exploração sexual.

Temas envolvidos:

– Mulher da Vida  X  Mulher e Vida;

– Vida fácil  X  Vida difícil;

– Violência  X  Direitos da Mulher;

– Vulnerabilidade social, cultural, econômica e psicológica;

– Enfrentamento  X  Transformação;

– Cidadania  X  Direitos Humanos;

– Mulher prostituta  X  Mulher traficada (busca de histórias para identificar a  presença desse crime invisível);

– A oportunidade, na verdade é uma saída que vira exploração.

Mais informações: comunicaapmm@gmail.com | (31) 3272-7349

Em setembro, Cine-Diálogos abrirá debate sobre o filme “Cinderelas, lobos e um príncipe encantado”

Programação do dia 04 de Setembro/2014

14:00 h –  Exibição do filme “Cinderelas, lobos e um príncipe encantado”

15:45 h – Debate com:

– Beth Campos(Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes em Minas);

– Betinho Duarte – Comitê Coração Azul de Minas Gerais;

– Ir.Manuela Rodriguez (Oblata), representando a Rede um Grito Pela Vida ;

– Laura Maria (Presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais-Aprosmig).

*Será servido Coffee Break.

Título Original: Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado

País de Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 108 min
Ano de Lançamento: 2010
Direção e roteiro: Joel Zito Araújo

Sinopse: Documentário que parte do fato que cerca de 900 mil pessoas por ano são traficadas pelas fronteiras internacionais para fins de exploração sexual. Entretanto, apesar de todos os perigos, jovens mulheres brasileiras acreditam que vão mudar de vida e sonham com o seu príncipe encantado. (Cinema em Cena)

Visitação à EXPOSIÇÃO MENINAS DO BRASIL – 2ª a 6ª feira, das 8 h às 22 ; aos sábados das 8 h às 12 h.

Aproveite para visitar a BANCA DE ARTESANATO DO PROJETO COMEÇAR DE NOVO

INSCRIÇÃO CINE-DIÁLOGOS

Data: 03/09/2014 a 05/09/2014
Inscrição: R$ 10,00 para as inscrições realizadas até o dia 17 de agosto e R$ 15,00 de 18 a 1º de setembro.
Local: Escola Superior Dom Helder Câmara
Informações: (31) 3272-7349 (Organização)
Certificado: Será emitido certificado | Carga horária: 15 horas.  Exigência: 75% de frequência.

Clique no botão abaixo e acesse o formulário de inscrição.

INSCRIÇÕES DIÁLOGOS

Ou acesse:

http://web2.domhelder.edu.br/corpore.net/Source/EduPS-ProcessoSeletivo/Public/EduPSFirewall.htm?CodColigada=1&CodFilial=0&CategoriaPS=13

PROGRAMAÇÃO: https://dialogospelaliberdade.com/cine-dialogos/obras-cinematograficas/